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domingo, julho 19, 2009

Eterno só a Fome

Soaroir
19/7/09
(Num dia triste)


nunca soube nada de eternidade
na véspera, eu acordei órfã
no dia, sai para sobreviver
não brinquei na furta-cor das balebas
no chão batido pelo jogo de malhas
que o destino em meu caminho jogou
retorno sempre, como um pequeno caçador
sempre aprendiz nas escolas convividas
com vida - e imaginários amigos a comer

a caça não caçada, mas apanhada
pela fome
por mais um dia
entre outros mortos.

segunda-feira, julho 06, 2009

Vira-face

Soaroir - 01/07/09



sou do tempo do vento solto

e vigor, o do sol e do corpo;

quando o carbono, uma graça,

não se fazia conta com ele,

e consciência era faculdade,

princípio do bom e do certo

em cada homem interior.

Mas tudo já é passado...

que reedito em minha poesia -

desde pisar em verdes gramas,

admirar a fumaça do trem,

a caminho sabe Deus pra onde

até o viver o vento na cara

sem pensar que é (em) desperdício

de eólica energia...



Mote: Mudanças

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre, à margem de nós mesmos." ( Fernando Pessoa )