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segunda-feira, maio 19, 2008

A Cor da Alma

Minh'alma © Soaroir 18/05/08




Caucasiana de vó e vô,

De graça tenho nos olhos

O verde de muitas bandeiras

E a alma furta-cor;

Cromia e sintonia de Matisse e Strauss,

Fonias de tons, Jobim e semitons;

Folias contrastando philias,

Mistura de azeviche encarnado

E mamelucos prateados;

Matizes de acordes difusos,

Entre azevinhos e paus-brasil,

Minha alma cora ao sol

Na luz intensa do Sul.


mote do dia por Soaroir:
"Toda cor tem alma e toda alma tem cor - qual é a cor de tua alma?"

sábado, maio 17, 2008

O Tédio

© Soaroir Maio 17/08

Quando a sombra do tédio de mim se aproxima
Refletindo, escura, em minhas telas,
Por ventura em branco,
Abro todas as cortinas, janelas e quantos forem os vãos
Aonde a luz possa espantar tal assombração.
Mas se for noite, sem lua e sem estrelas,
Logo acendo outras chamas que alumiem
Minhas pinturas e minhas fotografias
Minha paleta repleta e todos os meus esboços.
E ainda,
Tenho num canto um velho candeeiro
Para que se por dinheiro me faltar a luz
Eu deite nas linhas de muitas laudas
As entediantes pautas do fastio.




Mote do dia : Tédio
Olavo Bilac

Sobre minh'alma, como sobre um trono,
Senhor brutal, pesa o aborrecimento.
Como tardas em vir, último outono,
Lançar-me as folhas últimas ao vento!

Oh! dormir no silêncio e no abandono,
Só, sem um sonho, sem um pensamento,
E, no letargo do aniquilamento,
Ter, ó pedra, a quietude do teu sono!

Oh! deixar de sonhar o que não vejo!
Ter o sangue gelado, e a carne fria!
E, de uma luz crepuscular velada,

Deixar a alma dormir sem um desejo,
Ampla, fúnebre, lúgubre, vazia
Como uma catedral abandonada
!...

O segredo do poema

© Soaroir Maria de Campos


Há no poema qualquer coisa

Qualquer coisa de ficar e de avoar,

De trilhas de abelhas sem esquivança

De rochas e horas do dia.

Há no poema um mergulho

Decolagem, flutuar e dissipar-se

No mental trajeto do vento;

Há no poema um looping inesperado

Pousos de deslembranças

No retorno de caminhos

À cativas liberdades que o poeta

Bem conhece o ninho e alça o vôo.




Mote do dia:
"Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam..."

Fragmentos de um poema de
Mário Quintana

sexta-feira, maio 16, 2008

LIBERDADE DE VERDADE

© Lina Meirelles
Rio, 15.05.08
(publicação autorizada pela autora

para Pote de Poesias)





Em nome da liberdade
fugi para dentro de mim.
Aprisionei-me na solidão.

Sozinha, no meio da multidão,
renunciei ao que devia ser. Enfim,
mergulhei em busca da verdade.

Afastei-me da realidade.
Escolhi o caminho da exclusão,
para só, ser o que sou.

Anulei-me.
Ao ser absoluto, a decisão me levou.
Do meu próprio eu, livrei-me.

Sendo morta, então, o resto celebrei:
a beleza ilimitada da vida,
única, breve e intensa passagem.

Com muita coragem, na nulidade obtida,
achei a verdade.
E a isso eu chamei liberdade !

quinta-feira, maio 15, 2008

Tiziu, Tiziu

by Soaroir
mote:liberdade

Estou farta de falar de liberdade.
Pra mim ela é um franzino anu-preto de bico forte
com uma piaçoca no Pantanal
dividindo o mesmo espaço com garças brancas
e agitados frangos d’agua -
para assistir a exibição do
tiziu, tiziu.
Não entendeu nada? Não?
Imagine eu...








mote do dia: "Liberdade"
Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta,
que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

quarta-feira, maio 14, 2008

Quando me amei de verdade

À Mercuriana
© Soaroir 14/5/08
- Para poesia on-line do RL -

Quando me amei de verdade
mudei da tradição a magia –
de Órfica para a Mercuriana.
Foi quando me amei de verdade
que deixei de amar outros amores,
mandar flores para os mortos,
chorar sobre sepulturas alheias
aos meus próprios enterros.

Mote:"Quando me amei de verdade
percebi que a minha mente me pode atormentar
e me decepcionar, mas quando a coloco
ao serviço do coração ela torna-se uma
grande e valiosa aliada
."
De Charles Chaplim

terça-feira, maio 13, 2008

Em busca de Hêdoné

By Soaroir - 13/05/08
mote do dia: prazer

Diante de um infinito distante busco
a chama de mim mesma – para contradizer:
tudo não é ilusão e nem só o momento é real.
Busco hêdoné, além de Kamasutra,
do argumento e da psique.
Busco o que não posso compreender
no prazer do riso e da ira,
do belo e do feio,
do sagrado e do profano –
para bem viver a vida.

segunda-feira, maio 12, 2008

Meus Pensamentos

By Soaroir
12/05/08

Meus pensamentos são poesias
diferentes das expressas em palavras.
Lá eu sou a Mulher Invisível;
sou o Tocha Humana, Homem Borracha
e mormente o Coisa.
Em meus pensamentos sou um quarteto;
sou fantástica –
Conformo o mundo
com meus desejos mais secretos.


(mote do dia:"pensamento"

A poem is never finished, only abandoned.
- Paul Valery

domingo, maio 11, 2008

Mães adotivas

by Soaroir 11/5/08

imagem/google













Mães adotivas – somos todas...
escolhidas em outro plano,
parimos, se não pela vagina do Universo,
por cesáreas do destino — os filhos
que merecemos ter – para crescer.


mote: Persistência

quinta-feira, maio 08, 2008

Amor quadrado

©Soaroir 8/5/08

imagem/geocities/paris/

Como uma régua, desprovida
[de contornos,
Ainda acredito que
[as medidas de ontem
Possam guardar no compasso
[dos esforços
Alguns valores disponíveis
À preciosidade de um
[momento.
Que arrogância a minha...
Medir dação em pagamento!

MOTE DO DIA:
As dimensões do amor

Em ti o amor tinha tantas dimensões
Que não dava espaço
À vulgaridade dos cantos tristes e mudos.
Mesmo quando falavas em desamores
Transformavas o pranto em flores
E partias na senda ilusória
De novas claridades.

Horta, Setembro, 2007
Manuel C. Amor (poeta Angolano)




Nostalgia do silêncio

© Soaroir 07/05/08


Silêncio... no teu dia consagrado busco a tua parceria,
que cada vez mais se esgueira – não te encontro mais
em alizar de ombreiras de quartos nem catedrais.
Reticente tenho remorso do barulho adquirido
na minha mente – das roças até as capitais.
Ao redor, só ofegantes alvoroços e tormentas;
silêncio, eu te casso, mas tu te cessas espremido,
perdido, entre minhas arquejantes nostalgias.



II
Nostalgia é...
By Soaroir 7/5/08

Sentir de repente a gastura
Daquele verão mais curto
Ou do inverno mais longo
Entre geadas de inquietação
Que a Primavera dos justos
Costurou com fios dourados
Nas hastes da ancianidade.


(mote: nostalgia)

domingo, maio 04, 2008

Fluxo de Consciência

(Mote: otimismo
© Soaroir 04/05/08

Minhas canetas estão falhando.
Como minha inspiração,
a HP está sem tinta;
a tintura dos cabelos não deu certo;
a Lieb deixa pêlos brancos por toda a casa...
Que outono!

O nariz congestionado,
a garganta dói;
os ombros se contraem
na surrada malha acrílica –
Como podem abandonar o Sol...
irem além do Equador...
Que frio!

A lavadora emperrada –
na pia as louças se acumulam
às mãos que cada vez mais
têm menos circulação.
Abaixo a pressão sanguínea,
a osteoporose, o whiskey, o café –
adoto a piteira...
Quantos vícios!

E essas paredes surdas...
computador sem memórias;
Sem crédito o celular, a conta corrente,
a TV a cabo e esta escritura –
Tudo sem, tudo sem! Só, com Faukner...
Que domingo azul!

Poesia on-line - Recanto das letras - mote do dia:
"Muitas vezes agimos ...sem percebermos. Colocamos em
nossa visão as lentes da aflição, do medo, do desespero, da baixa
auto-estima, ou até mesmo uma lente muito escura que não nos permite
enxergar com clareza por onde estamos andando, e aí vamos caminhando
olhando o mundo sobre aquela lente que deturpa todas as imagens que
passam à nossa frente e não nos deixam enxergar a segurança, a paz, o
perigo daquela proposta ilusória, ou o valor que temos."
Fonte:e-otimismo/ By Kate Weiss

Sal Enxuto

©Soaroir 03/05/08
Imagem em: photobucket.com














Trago a visão das gaivotas no olhar
A contemplar este grande oceano;
Ainda tenho na pele o sal enxuto
E os cabelos encharcados pelo mar.
Trago uma luva de areias quentes
Entre palmos de alva espuma;
Rompantes de vagas ao vento
Superando quaisquer correntes.
E das solas ingênuas de carícias
Trago a impressão que eu lá deixei
Na areia impregnada de delícias.
Está retratado sem nada faltar:
Há beleza também nas brumas,
Gradeza que homem algum pode imitar.


Mote do dia:
"
É só contemplar este grande oceano
Aonde o poder de um ser soberano
Está retratado sem nada faltar
Grandezas que o homem não pode imitar
Nem mesmo em oitenta milhões de semanas
"
-Zé Ramalho. Disco: Força Verde, 1983, Epic.-

sexta-feira, maio 02, 2008

Fragmentos

Soaroir 02/05/08


Sou velha como uma borboleta,
nova como um carvalho,
ladina como um pé de couve.
Escrevo porque gosto,
se quer sei muito bem fazê-lo.
Vou passando a limpo os rabiscos do tempo.
Nesse meio tempo esvazio gavetas e armários
que ontem estiveram repletos de papéis,
especialmente o de ignorante tolo;
vou arquivando o psicótico e cortando
as relações do neurótico com o perverso.
Amanhã poderei ser
simplesmente tola.


Mote: Sou como você me vê,
posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando,
e como você me vê passar.
Clarice Lispector

quinta-feira, maio 01, 2008

Ócio e Lazer - O mote do dia

Soaroir -1º de Maio/08





A vida não se aposenta

Ela tampouco tira férias

Não faz greve de comer

Nem as auroras  imobilizadas

Pelo ócio ou lazer.


Foto: Tamron/life celebration/Sherry Hamilton
Rome, GA