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terça-feira, julho 20, 2010

Amigo segundo o Profeta

Amigo segundo o Profeta
Soaroir 20/7/10


Amigo é para atender suas necessidades,
e não encher os seus vazios.
E, quando ele parte, você não chora,
pois assim como a montanha
é mais clara que a planície para o escalador,
o que você mais ama em seu amigo
se torna mais claro na sua ausência.



Baseado em:
Gibran Khalil Gibran
ensaísta, filósofo, prosador, poeta
1883 - Bicharre/Líbano - 1931 -USA
Magnum opus "O Profeta"

domingo, julho 18, 2010

Ressonância Magnética

Soaroir
18/7/10


suponho-me adulta e educada

(poeta, brasileira sem dilema)
sobrenomes pouco me importam

dentro da lei e dos bons costumes
valho-me dos direitos adquiridos

meu discurso não precisa dizer nada

de relógios desisti de ser escrava
livre, como nascem tudo e todos
valho-me dos direitos adquiridos

minhas noites, todas enluaradas
míticos lobisomens e amarras
bastardas máscaras - preteridas

pelos (meus) direitos adquiridos
            tenho a vida reinventada...




mote:
"Reinvenção
Cecília Meireles 

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas

que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
"

sábado, julho 17, 2010

Meu Mundo


Môj svet je môj cotage
Moja cotage je môj svet
بلدي هو بلدي العالم
cotage μου είναι ο κόσμος μου
este é o meu mundo
igual e diferente
como as de todas gente - 
coisas necessitando
outras a atirar fora
my world is my cottage
entupida de picumã
achas e desvarios -
uma cabana somente...



Soaroir - 17/7/10
em diferente fuso horário

sexta-feira, julho 16, 2010

Amor & Razões

Soaroir 16/7/10


amor –

 corpo celeste –

meteoro –

estrela cadente

cada qual com brilho próprio

 imagens –

   momentos  -

durantes momentos - 

que duram

 um a um -

a vida inteira...


mote: 
As sem razões do amor
Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.









quinta-feira, julho 15, 2010

Agua Doce

Soaroir 15/7/10



o poeta que em mim habita
saúda o poeta que vive em ti....


Koan - Intuição

Meditação do ventre
Soaroir 15/7/10

- Mestre, que faço para remediar a incompreensão de meus versos
enquanto os pairo, se nada sei de bússolas... nem de remígios?


- “Eu queimo os livros de minha bolsa, mas os versos escritos no meu ventre jamais serão esquecidos"

quarta-feira, julho 14, 2010

Poesia vem de Tudo

Conversão de Poeta

Quando craquelês visíveis no verniz da alma
Esgotam o espaço nas paredes dos sonhos
Melhor é dar outra demão na pintura
Cobrir os envilecidos traços
Reinventar espaços
Para um novo esboço

Pois somente um homem
morto - não é poeta...

Soaroir de Campos
 num p frio de Junho/2010

Letras Plásticas

O Mistério de Minha Arte
Soaroir


imagem Google


Cubistas poesias minhas
Água as intitularia
Não fossem inacabadas...
Desconstroem formas
E sólidos pontos de vista
Sem nenhum de fuga...



Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia é o mistério de todas as coisas

Frederico Garcia Lorca

sexta-feira, julho 09, 2010

A mentira de Vinícious

Trinta anos sem Vinícius
Soaroir 9/7/10

a mulher amada deixou de ter
aquela beleza fundamental
e a boemia então
perdeu a razão de ser
bares, noites de paixão
não são os mesmos sem você
onde a gente se amava
ou curtia a solidão
no um pra lá um pra cá
você cantou ser normal
já que amor é enquanto dura
até  um outro começar
mas desde que você partiu
não deixamos de lhe amar
e todas gerações futuras
nos dirão que você mentiu...

Trinta anos Sem Vinícius

O gato

Vinícius de Moraes

lápis s/papel
J Duarte
Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre
De um passarinho
Súbito, pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma o seu banho
Passando a língua
Pela barriga.

Gato-poesia

Com Coragem
Nilza Azzi 7/7/10

"gato-poesia"



meu gato-poesia espia
e mia em cima do muro
inseguro, lambe as patas
espreme os olhinhos amarelos...
se teme o inimigo ancestral
bem ou mal, enfrenta o perigo
e junto ao perdigueiro vai brincar

quarta-feira, julho 07, 2010

Sem pedigree

Soaroir 7/7/10

cachorro-poema


meu cachorro-poema é vira-lata
nenhum com pedigree chega perto
com medo das suas pulgas...
deste rafeiro o que ninguém sabe
é que o seu faro é de perdigueiro


Cachorro-poema

Busca
Mário Quintana

Subnutrido de beleza, meu cachorro-poema vai farejando poesia em tudo, pois nunca se sabe quanto tesouro andará desperdiçado por aí...

Quanto filhotinho de estrela atirado no lixo!

segunda-feira, julho 05, 2010

Sexto Motivo da Rosa

Soaroir 5/7/10

cinza cimentada era
sem motivos de Cecília
branca, vermelha, nem amarela
foram-se rosas e notílias

solitária em algum jardim
ou de plástico sob a mobília
hoje a rosa vive assim
sem os motivos de Cecília

o que conserva e resume
as notícias de um roseiral 
não é da flor o perfume
é o ser rosa virtual

e mesmo assim ainda brilha
o olhar de qualquer mortal
com as rosas de Cecília
e as deixadas no portal...


MOTE: a lucidez das rosas...
4º Motivo da Rosa
Cecília Meireles

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.


"Os Cinco Motivos da Rosa

Primeiro Motivo da Rosa


Vejo-te em seda e nácar,
e tão de orvalho trêmula,
que penso ver, efêmera,
toda a Beleza em lágrimas
por ser bela e ser frágil.

Meus olhos te ofereço:
espelho para face
que terás, no meu verso,
quando, depois que passes,
jamais ninguém te esqueça.

Então, de seda e nácar,
toda de orvalho trêmula, serás eterna.

E efêmero o rosto meu, nas lágrimas
do teu orvalho... E frágil.


Segundo Motivo da Rosa
(a Mário de Andrade)

Por mais que te celebre, não me escutas,
embora em forma e nácar te assemelhes
à concha soante, à musical orelha
que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
oferece às vespas e às abelhas.

E a quem te adora, ò surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!

Sem terra nem estrelas brilhas, presa
a meu sonho, insensível à beleza
que és e não sabes, porque não me escutas...


Terceiro Motivo da Rosa

Se Omar chegasse
esta manhã,
como veria a tua face

Omar Khayyam,
tu, que és de vinho
e de romã,
e, por orvalho e por espinho,
aço de espada e Aldebarã?

Se Omar te visse
esta manhã,
talvez sorvesse com meiguice
teu cheiro de mel e maçã.
Talvez em suas mãos morenas
te tomasse, e disesse apenas:
"É curta a vida, minha irmã".

Mas por onde anda a sombra antiga
do âmago astrônomo do Irã?

Por isso, deixo esta cantiga
- tempo de mim, asa de abelha -
na tua carne eterna e vã,
rosa vermelha!

Para que vivas, porque és linda,
e contigo respire ainda
Omar Khayyam


Quarto Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.


Quinto Motivo da Rosa

Antes do teu olhar, não era,
nem será depois, - primavera.
Pois vivemos do que perdura,

não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado:- o prazo
do Criador na criatura...

Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.

Mas não chores, que no meu dia,
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem."

Cecília Meireles - Ed. Nova Aguilar





domingo, julho 04, 2010

Cara-a-cara


Soaroir 4/7/10





Cara a cara - perto até ouvir os gritos

Dos rasgos que só com o tempo decrua

Revolta de querer o que era restrito

Registro que da memória já recua

Aquele não é mais o meu tormento

Esposada a caprichos mais profundos

Afrontei a presunção dos meus lamentos

Abri os braços e as portas pro meu mundo...




Mote by Mara Weiss:
 "Eu sofro de mimfobia,
tenho medo de mim mesmo.
Mas me enfrento todo dia."
Enfrentar-se (Millor Fernandes)

Soaroir
Publicado no Recanto das Letras em 04/07/2010
Código do texto: T2357553

sábado, julho 03, 2010

Arquivo Morto

Soaroir 3/7/10



Ah, sempre me amofina a razão do aprender
Anos e anos triturados - do ventre ao jardim da infância
Outros tantos macerados nos cadinhos da adolescência
Pra quê? Alguém...diga-me pra quê?
Bailes de formatura, medalhas, graduação
Vestibular, pesadelos -  PhD...
Flâmulas, álbuns de recordação
Quando só queríamos Ser...
E finalmente quando somos – além da invenção
Reunem (os) nossos carunchentos feitos
Todos – em uma caixa de arquivo morto -
Varejada sem nenhum respeito...


Mote: Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. 
Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender.
Blaise Pascal

"APRENDIZADO"