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sexta-feira, setembro 14, 2012

Educar para Crescer




fonte da imagem/http://eejpgrp.wordpress.com/2012/08/14/a-importancia-da-leitura/cartaz_03/

segunda-feira, setembro 10, 2012

Lianas


imagem/Net



Crescer sobre outras, sem ferir-lhes;
E como o choro da videira,

O não arrebentar dos gomos;

 
Temperaturas desordenadas -

Vão-se ciclos vegetativos -

Repouso indistinto;

 
Liames desabrolhados, 

Previstos para eclodirem,

Interrompem seu crescimento.

 
Ignoradas lianas...

Sem saida, não se mostram

E ante a ameaça do perigo

 
À dilatação da ráquis, inflorescências,

Frustradas ficam - a abertura das flores...
 


Soaroir
10/9/12

P dueto c/Anna K in “Corda de Jasmim”
Aberto a sugestões


 
 

terça-feira, setembro 04, 2012

Sete de Setembro - Conto Insólito

Às Margens do Ipiranga (EC)



O Brado da Coli (¹)
Copyright Soaroir de Campos


Por mais bravio e convicto que possa lhes parecer, a narrativa que estou à teclar, não espero nem peço crença. Louca eu estaria de esperar que, uma tão antiga história recontada há mais de dois séculos, meus sentidos rejeitassem as evidências.

Entre muitas outras árvores nativas preservadas pelo Dr. Ihering, deita-se um príncipe sob a sombra de dois cedrella fissilis enquanto seus três caceteiros saem em busca de água inclusive para os cavalos. Cansado da longa viagem de visita a parte de seu território, o jovem príncipe adormece.

Às vésperas da Primavera no Hemisfério Sul, uma fina garoa se precipita, refrescando a mente e o ataviado corpo do principezinho.

Alfonso chega com um cantil e acorda o herdeiro que avidamente engole a água e volta a dormir, sem ouvir o aviso do jagunço: “Majestade, eu trouxe a água, mas ela é muito vermelha”. Notícia que mais tarde se conhece as consequências.Dorme profundamente e sonha com toda aquela vida miserável que sempre teve desde quando ainda puto. Sem vídeo game, televisão, internet... Nada, nada, mas obrigações e deveres preenchiam sua existência.

A menos de um mês de completar 24 anos, o nobre rapaz sonha com as intempéries do reino, o que bem conhece desde miúdo; com a fuga da família real e a travessia do Atlântico quando então é acordado por seus guarda-costas, avisando-o de que alguém se aproxima.

Assustado e ainda sonolento, se retorcendo (de dor) pelo efeito da água do rio vermelho que havia bebido, monta seu puro sangue que já o aguarda arreado e, com a espada desembainhada e em riste, segue a declive até avistar um cavaleiro que de longe anuncia: “Trago notícias da corte!”. Menos ansioso o jovem príncipe espera a chegada do mensageiro que se aproxima no exato momento em que este tenta esvaziar a bexiga; pede para que lhe seja lida a mensagem e em seguida, em quase estado de alucinação, grita: “deixem-me cá em paz! Já disse que FICO. Cumpram-se...”

O mensageiro já perto de desaparecer na curva à margem do Y Piranga, quando pela Mata Atlântica ecoa um grito...

Independência ou morte!”.




(¹) A Coli (Escherichia coli- também conhecida pela abreviatura E. coli) bacteria bacilar Gram-negativa, que, juntamente com o Staphylococcus aureus é a mais comum e uma das mais antigas bactérias simbiontes do homem. O seu descobridor foi o alemão-austríaco Theodor Escherich, somente em 1885 (fonte:Wikipedia)



(in esboços) by Soaroir 30/8/2012

segunda-feira, agosto 27, 2012

Empesteadas Mazelas


Empesteadas Mazelas

Soaroir 27/8/12

(primeiro rascunho)

 

Tem hora que bate

Não solidão

Mas desesperança...
 

 Ao ir de encontro ao destino meu

Empesteado de mazelas

Confesso – não sei
 

 Se sou eu o culpado

Pelas sementes semeadas

Nos canteiros onde me encontro
 

 Se mea culpa? Não sei -

No entanto, até mesmo Deus

Deve ter Seus limites

 
E eu, neste ermo povoado

 Jamais, prometo, hei de culpá-Lo

Por tais fados tão somente meus.

 

Quando não se Cabe em Sí

No Dia Seguinte é Poesia
By Soaroir
27/8/12

                                                                         
                      Tuko - Nosso Cão Adotado

Noite passada dormi inquieta.
A bunda não cabia na cama,
E os travesseiros na nuca.
À Oeste a meia lua iluminava o quarto;
Acompanhei-a até sumir aonde vai agora o Sol.
Com meus pedaços de sonhos inquietos
Levantei-me para aprontar um chá com leite;
Pensava atrair um sono justo,
Mas tropecei no cachorro,
Que de vigília à minha porta,
Por vingança, ou coisas de cachorro,
Ali se prostrava com semblante de miserável.
Ao acender a luz descobri -
Ele anunciava: - fiz merda no banheiro!
Mas já era muito tarde.

Sem Bússola e Timão


Sem Bússola e Timão


Soaroir 27/8/12
 

De repente toda a praia mudou,

Tudo ficou diferente;

E eu, me perdi no horizonte...

Olhando pela primeira vez o mar –

Além das areias - sonhando

Com o seu navio voltando

Do Oriente...
 

domingo, agosto 26, 2012

Ao Vento


by Soaroir - 26/8/12



Se eu soubesse

Que te havia de chorar


Ao inflar das velas – no partir

Escolheria ventos mais brandos


Para lembrares de mim

Nos tempos de calmaria...



imagem/google

.

Poesia de Rua


imagem/google/


Grafitagem


De certo devo não, mesmo assim

Abro um nicho - sobreposto deixo

Em deleitosa fachada...Em galarim

Envolvo-a; guardo-a em nicho


Mesmo em preto colorgin

Usando (de) todo apetrecho

Nos muros daqui ou Berlin

Grafitando (tado) até os (em) seixos


Oxalá fosse (de você) para mim

Por afeição e não capricho

Tal poesia pichada assim

Pelos muros de meu trecho


por Soaroir de Campos
15/8/12

quarta-feira, agosto 22, 2012

Cabeça Fria e Rabo Quente

Refrigeração
imagem/yahoo
Quando tudo dá errado
Dê de banda, dê de quina
Não insista no enfado
Saia logo da rotina;

À cabeça um resfriado,
Um rolé até a esquina...
Dê vazão a (um) novo fado.


Soaroir de Campos
Agosto 22/2012


  In VARAL Nº37 EDIÇÃO 557 ANO XI - GRUPO LUNA&AMIGOS - TEMA: "ESFRIANDO A CABEÇA"

domingo, agosto 19, 2012

Três Mulheres e um Segredo - Microconto




A Compartilha
By Soaroir 20/08/2012

imagem google

Quando a porta da frente se fechou atrás dela, a governanta se virou para o sombrio hall e se deparou com a dona da casa estendida no chão. Após gritar insistentemente:

– Senhora Baines, senhora Baines. – Helga acendeu e apagou a luz conforme o combinado.

– Rubriquem todas as vias e assinem a última página, logo abaixo da Anna – disse a tabeliã Dra. Schmidt, à primeira hora do dia seguinte.



Este texto é parte do "EC - Exercício Criativo".
Conheça os outros autores:
http://encantodasletras.50webs.com/tresmulheres.htm












quarta-feira, agosto 15, 2012

Realidades do Brasil

Raramente publicamos poesia de terceiros  neste espaço -


Edir Pina de Barros
http://www.edirpina.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=3830085
14 de Agosto de 2012 14:21
Nosso Senhor do Bom Jesus de Cuiabá
Edir Pina de Barros

Está tudo tão mudado
nunca vi isso por cá
está triste o Cuiabá
e mais triste o meu cerrado
assim tão seco e queimado,
não tem chuva do caju,
piracema de pacu,
enchente de São José,
e grita triste o pinhé
no galho seco e quebrado.

O rio está definhado
está triste o pescador
na terra do Bom Senhor
porque não tem mais pescado
(só tem peixe congelado,
criado em tanque, e tão caro),
não se vê peraputanga
assada na pedra canga,
o dourado está tão raro.

Não se vê mais o jacá
na Vereda ou Bom Sucesso
(esse é o preço do progresso,
que canto aqui nesta loa)
e não se vê mais canoa,
levando seus pescadores,
antes, do rio, os senhores,
alegres, sempre a cantar,
pescando ao sol e ao luar
saudosos de seus amores.

Tudo agora está cercado,
tem diques no pantanal
que muda o ciclo anual
antes todo regulado,
(garantia do pescado):
no tempo do ipê em flor
a piracema, um esplendor,
poesia da natureza,
prenhe de encanto e beleza,
milagre do Criador.

Já não tem pacu assado
na mesa do camponês,
nem florejam os ipês
no tempo que era esperado:
tudo, tudo está mudado.
Seguem as águas tão ligeiras
beijando os sarãs das beiras
cortando matas, cerrado,
buscando o colo encantado
das planícies pantaneiras.

domingo, agosto 05, 2012

A Bastarda

Meu Pai.
 
 
Lembro-me bem da frase “filha sem pai tem que se resguardar muito mais” Que inferno! Perante tantas ofensas tive que me acovardar; ser segura na insegurança e me fingir inabalável...Quanto medo eu trilhei até me plantar carvalho!
 
- Agora pai, eu não preciso mais do seu nome, basta o nome da mãe nos documentos. Entretanto, caso a gente volte a se encontrar, saiba da obrigatoriedade do registro paterno, sic PRESIDENTE DA REPÚBLICA:   Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei(...) – Bem, leia você mesmo.  
 
Independe estarmos lá ou cá, ainda caminho pela trilha do medo, embora hoje mais me assombrem, diferentemente d´antanho, a falta de energia; estantes vazias; mãos sem pena; e a e-poesia! Além dos agrotóxicos;a farmacologia; os efeitos colaterais;o MERCOSUL, TLC,ALALC, ALADI ...as indústrias nucleares; a represa dos rios...
 
Claro que este é o meu ponto de vista, todavia, outros tantos hão de concordar que meus antigos fantasmas - aqueles de baixo da cama, de dentro do armário, dos mortos e os da assunção de ser “bastarda” porque não tinha seu nome - são risíveis diante das ameaças esmaltadas e das violências que, convenientemente, nos entucham com amenizadas cotas. O Medo de não preservar a espécie ainda prevalece....
 
Há dias em que o desassossego nos assola mais do que em outros. Hoje, convenientemente, o utilizo para atender a este tema que nos força a sair do ostracismo literário que o imediatismo da Internet tende à induzir à banalidades.
 
É apreensão daquelas que vêm e a gente se olha dentro e discute, arrazoa e conclui que a preocupação não muda a história presente ou futura de ninguém. Eventualmente pode se preparar, se isso é possível, para o pior e arquivar o assunto sem marcar revisão. É nessa hora que mesmo os agnósticos largam às mãos de Deus, ou destino, o resultado para nossas aflições. A final, não é para tudo que conseguimos mover os finos e invisíveis engonços deste show onde somos meros títeres.

É isso pai. Hoje até virei poeta!
Copyright Soaroir

(Sem Revisão)

quinta-feira, agosto 02, 2012

A Geografia do Medo

A última oportunidade do homem (EC)
Copyright Soaroir
Agosto 2/12

http://www.blogcdn.com/www.joystiq.com/media/2009/10/stalker5steam580-1.jpg

Pensava Bertrand ¹ em outro século que nosso mundo vivia demasiado sob a tirania do medo e que insistir em mostrar-lhe os perigos que o ameaçam só poderia conduzi-lo à apatia da desesperança. Afirmava ainda que ao contrário, era preciso criar motivos racionais de esperança, razões positivas de viver; mais sentimentos afirmativos do que de negativos para que os afirmativos desagregassem os negativos e perdessem sua razão de ser. Caso contrário nunca sairiamos do desespero.

A gente vai se arranjando, mas em nossos dias seria irreverente aplicarmos tal filosofia. Embora, aparentemente, seja esta a que nos entucham os governantes através da mídia.

Basta olharmos, mesmo que de relance, “O Mapa da Violência 2012” ². Este ao que chamo de doméstico, já que nossos medos hoje vão muito além. Estamos bem próximos do desespero quando muito nos falam e nada se sabe das consequências dos agrotóxicos; da farmacologia;dos efeitos colaterais;do MERCOSUL, TLC, ALALC, ALADI ...; das indústrias nucleares e das represas dos rios, por exemplo.

Assim como o medo, também a esperança é inerente à preservação da espécie humana, por isso é que vamos em frente, driblando, arrazoando, mas só um irresponsável ou louco em nossos dias não beiraria a margem da apatia da desesperança.

Particularmente me apavora a falta de energia; estantes vazias; mãos sem pena e a E-poesia!

No mais, é entregar para Deus, o que fazem mesmo os agnósticos, pois só Ele, que embora tenha feito a Terra redonda, determinou um canto para cada um de nós e é nosso dever, independente de credo, nos alicerçarmos na Esperança.

¹ Bertrand Russell, Inglaterra

1872 // 1970 Filósofo, Matemático, Crítico social, Escritor
² http://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2012.php



(sem revisão)

Fim de Tarde em Butantã II