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sábado, março 09, 2013

O Poeta e a Poesia

Poesia, Abelha Solitária

Por Soaroir de Campos
Março 2013


imagem google/ReinodaNatureza



O poeta - membro da chusma -

sabe-se soberano

no prélio das controvérsias


Entre deuses e homens

transpira pela abelha solitária


Que lambe os olhos

e os suores do poeta...



(Para o Grupo Luna&Amigos
Varal nº 14 - Tema: "O Poeta e a Poesia")



NOTA: Este é uma adaptação de meu texto: “Da Poesia e do Poeta” in http://www.recantodasletras.com.br/poesias/2547258



sexta-feira, março 08, 2013

Cronópio Significado


"O que é "Cronópio"?

foto por Soaroir/na Av. Paulista
.
O que é cronópio? Essa foi a pergunta que fiz a mim mesma quando li essa palavra em algum texto que não me lembro qual foi, nem quando foi... Fiquei curiosa para descobrir seu significado, e ao pesquisar percebi que eu me identificava com sua definição... Acredito que os cronópios possuem uma visão diferente do mundo, são aqueles que sonham demais, amam demais, criam demais, viajam demais e se iludem demais. Iludem-se por optarem pelo lado subjetivo das coisas e que por isso acabam não vendo maldade em nada... São aqueles que preferem ver por de trás da superfície, que muitas vezes fecham os olhos para sentir e escutam a voz do coração como ninguém.

"Cronópios são uns serezinhos duvidosos inventados por Julio Cortázar, escritor argentino, para reproduzir certos traços humanos muito freqüentes nas pessoas boas, ingênuas, irresponsáveis, alegres, sensíveis, temerárias, atrapalhadas, vacilantes, barrocas, amáveis. Se a pessoa se encaixar nestes traços, é um cronópio."

Cronópio – não é difícil ver que essa palavra se compõe da justaposição de dois vocábulos gregos: chrónos (tempo) e ópion** (a substância da famosa papoula, capaz de deixar a pessoa em estado de euforia seguido de um sono onírico). — Assim, penso que não ficaria mal se definíssemos os cronópios como seres entorpecidos pelo sentimento do tempo.

Um trecho do livro de Cortázar, Histórias de cronópios e de famas, explicaria melhor o seu significado:

"Um cronópio pequenininho procurava a chave da porta da rua na mesa-de-cabeceira, a mesa-de-cabeceira no quarto de dormir, o quarto de dormir na casa, a casa na rua. Por aqui parava o cronópio, pois para sair à rua precisava da chave da porta."

"Pois assim são os cronópios. Quando se põem a cantar suas canções preferidas, ficam tão empolgados que freqüentemente se deixam atropelar por caminhões e ciclistas. Ao contrário dos famas, que são práticos e calculistas, os cronópios são desordenados e líricos. Se saem de viagem, sempre encontram os hotéis cheios, perdem todos os trens, a chuva cai sem parar e os táxis se recusam a transportá-los porque estão tremendamente molhados. Mesmo assim, à noite, dizem-se com alegria: “Que bela cidade, que cidade belíssima”. Depois de dormir e sonhar que foram convidados para grandes festas naquela cidade, levantam-se contentíssimos no dia seguinte, pois é assim que os cronópios viajam." "

 por Mariana Braga Guimarães às 13:22/Março de 2010 

(Republicação aguardando autorização da autora - http://pensamentosdeumacronopia.blogspot.com.br)

Los derechos humanos de la mujer


"Los derechos humanos de la mujer y de la niña son parte inalienable, integrante e indivisible de los derechos humanos universales. La plena participación, en condiciones de igualdad, de la mujer en la vida política, civil, económica, social y cultural en los planos nacional, regional e internacional y la erradicación de todas las formas de discriminación basadas en el sexo son objetivos prioritarios de la comunidad internacional."


(Declaración y Programa de Acción de Viena, parte I, párrafo 18)   (recebido de Isabel I. Zuluaga)

segunda-feira, março 04, 2013

Time to Say No

Diga Não à Opressão!

S.O.S. Para as Mulheres Sertanejas
By Soaroir de Campos
Março/2013

Meu background bem me permite saber o que é ter uma VIDA seca e, pelo 38º (ONU) Dia Internacional da Mulher, peço vênia para rogar por aquelas dos sertões (¹) brasileiros.

Não que outras de áridas culturas e lugares mereçam menos socorro, entre tantas as indianas, onde "Meninas são inferiores. Fardos. São mais fracas para o trabalho braçal. Valem menos do que um touro. Não cuidarão dos parentes idosos, se necessário. Tornam-se cidadãs de 2ª classe, a seguirem seus maridos como cães... Não merecem ser ouvidas, vistas ou respeitadas”.~ Rama Mani*

Entretanto, nasci neste continente sul americano onde desfrutamos de toda a liberdade que nos propõem e a nós dispõem. Por aqui estudar não é proibido, pelo contrário, o incentivo aos estudos garantiu ao nosso ex-presidente, já com 80 títulos, mais uma vez ser intitulado Doutor Honoris Causa. Neste solo a lei nos garante o divórcio, ser gay ou lésbica depende do livre arbítrio, ser macumbeiro ou testemunha de Jeová também. Mas, ainda, temos sonhos. Os meus foram pisar no sagrado chão das inacessíveis catedrais, dividir os palcos com as ciências e com as artes imortais e, a qualquer custo, me manter distante da frisa dos ignorantes. Quase desisti diante dos desafios, logo após o primeiro ato.

A Grande Muralha da China, Machu Picchu, Everest, ah, nada que me tirasse o fôlego constava de meus projetos. Talvez ir a Jordânia ver de perto o monumento de Petra, voltar ao Rio e fazer poesia sob os Arcos da Lapa... Coisas assim, simples, de meros mortais foi o que sonhei... Mas eu me quedei em prol da educação de meus dois filhos hoje cientistas. Mas isso faz décadas. Hoje estou velha e pouco, efetivamente pouco vejo para o futuro da mulher anciã. E garanto: é coprológico envelhecer independentemente do lugar. Tem a volta do velho bidê, criados mudos e geriátricos panos de fundo; buço grosso em lábios finos, gengiva baixa em boca murcha; corpo leve em amplo colchão marcado por lembranças e manchas de tempos e de corpos dantes perfumados de “Royal Brial” e “Old Spice”. Contudo, diante do meu prato cheio, da água mineral, do gás encanado e dos recursos providos pela tecnologia, eu ainda sonho, mas sigo em frente lambuzada de protetor solar para desestimular o lúpus eritematoso. Diferentemente da irmã sertaneja que de couro curtido, após um dia de labuta, se estira em uma tarimba, que com sorte, coberta por uma esteira de tabúa.

Para ela, o seu maior sonho não é ter de volta os dentes, já que o que lhe sobrou para mastigar foram os mesmos sobejos engolidos por seus ascendentes. Tampouco ser analfabeta lhe pesa. Ela - não canta ou dança ao folclórico som mais conhecido de sua região - ajoelha-se e pede a Deus que não permita que suas tripas consumam sua fé enquanto aguarda por uma cuia de maná - limpa os olhos marejados, encardidos, amarelados pela fumaça da lamparina e a inanição e replica que Ele tenha piedade e mande chuva para que a cacimba volte a minar e o milho e o feijão voltem a brotar.

Em seu casebre de chão batido e cobertura de sapê, ela se roça no fogão a lenha balangando no ar a magra mão sobre uma velha vasilha enferrujada com resquícios do último ensopando de caruru fervido na água apodrecida. E reza: por um caminhão pipa, por água para beber – bolsa família (75,00) seria uma benção, se tivesse onde comprar uns grãos -. Oh Deus! Ela treplica, só queria ver a terra brotar (antes que nela eu me deite) e através de meu suor calar a boca do meu estômago e a dos meus filhos famintos.

E, como seus antepassados, esperança em seu “Padin Padre Ciço” de não ser enterrada como indigente e solta o ultimo suspiro prometendo aos filhos que um dia tudo ainda vai miorá.



(Texto sem revisão)


¹ 1. Lugar inculto, afastado de povoações.
  2. Floresta no interior de um continente, longe da costa.

* Rama Mani é escritora, diretora de cursos do Centro de Política de Segurança de Genebra e membro do Conselho da “Coalizão Global: Mulheres Defendendo a Paz”, autora dos livros de jornalismo político, entre outros, Beyond Retribution: seeking justice in the shadows of war (2002) e Physically Handicapped in Índia, policy programme (1988).


Mini Biografia:

Soaroir Maria de Campos – Campos dos Goytacazes – RJ,/Brasil 1947. Entre contos e crônicas tem nove antologias de poemas publicadas. Professora aposentada é membro da AVSPE, Poetas del Mundo, Recanto das Letras, Luso Poemas, e outros.
Blog: http://pote-de-poesias.blogspot.com.br/
E-mail: soaroir@yahoo.com

Para: Pen Club.at

Quando a Musa Canta

By Soaroir 04/3/13



Com suave canto
Dita-me a musa
Rimas sonoras

Que atiçam
Revolvem
Mudas memórias

De edens,
Tormentas,
De númens;

De câmaras,
De homens, de deuses...
Nem sempre bucólicas!

domingo, março 03, 2013

A Mulher...boazinha



(reedição)

A Mulher "Boazinha"



Somos gente, fazemos parte da nação, do Planeta. Determinar um só dia para comemorar seja lá que data for, a mim deixa a impressão de que se precisa de um dia para pedir perdão ou desculpas. Como por exemplo, hoje, Dia Internacional da Mulher.

Hoje todos nos defendem, querem nos proteger e até nos fazem belos poemas. Hoje somos mulheres “boazinhas”, “coitadas”, “contextualizadas”, dignas de flores. Esta beata necessidade de declamações uma vez ao ano a essa mulher “boazinha”, de alguma forma soa como mais uma discriminação velada, já que não temos o dia dos homens.

Não somos toda essa beleza e formosura que fantasiam reconhecer somente em dias de mulheres. Somos também paus e pedras, composição hormonal, perigo iminente.

Desconstruimos gente, assaltamos lares, aceitamos ser amantes.

Somos voluntariado, ou neurótico caminho. Não temos meios termos, podemos um dia ser rosa e no outro insuportável espinho. Além de petulantes, somos malvadas, mesquinhas e revoltadas; temos vícios, masturbações, prostituições, especialmente se carentes.

Na estratégia fazemos inveja aos grandes senhores da guerra. As armas que dispomos e usamos com maestria, embora herdadas são irreveláveis até mesmo em confissão.

Somos gente, pessoas normais que a Natureza quis tivéssemos um útero e dois ovários para parir e preservar a espécie, para o que facilmente viramos bichos, feras que se acuadas ou coagidas não reconhecem limites para a sua sanha. Nas injustiças, fomes e misérias somos os piores adversários que alguém pode querer.

Somos gente que como tal querem ser tratadas. No more, no less.

Não somos deusas, só imortais!

Soaroir Maria de Campos
08/03/07

(uma inspiração sem transpiração, por isso não considerem os erros. Afinal.. hoje sou só mais uma mulher boazinha…)


por Soaroir em 08/03/2007
Código do texto: T405274


terça-feira, fevereiro 26, 2013

Devaneei

By Soaroir 26/2/13

com a “Dama da Retorta
(http://www.recantodasletras.com.br/poesias/4160562)





Artificiosa dama

Impondo seu festim

Em paga –– do aceite ––

De nossa fineza...

Devaneei....




domingo, fevereiro 24, 2013

Estio

Estio
® Soaroir
Fev/2013




Quando o Outono chega

O sol sai para descansar

As sandálias

Os ternos

O suor

Escorrido

Pelo pescoço...


Folhas enferrujadas

Surtem de novo

Memórias

Do que foi e é...

Será?

imagem/google



segunda-feira, fevereiro 18, 2013

The Book is on the Table

Sou de gêmeos

By Soaroir 18/02/13




Depressão não tem muito espaço em geminianos. Nós sofremos de impotência quando a vida ou alguém nos puxa o tapete, mas por pouco tempo, logo que mastigamos, intelectualizamos e argumentamos, fazendo do infortúnio um desafio mental, arquivamos tudo no “desativado”, com revisão para um dia talvez...

Apesar da rapidez de raciocínio, há um certo “delay” para matérias exatas - eu não sobreviveria sem uma calculadora pra somar dois mais dois – mas as humanas...Ah como me deleito com elas! O português e outros idiomas sempre foram minha paixão, tanto que logo cedo comecei a estudar inglês no Yázigi e União Cultural no Rio. Pobre de marré marré, eu pagava a matrícula e mais dois meses e pedia bolsa que pela minha dedicação e bom desempenho me era concedida. Com isso acabei me formando na Cultura Inglesa de São Paulo. Mas bem antes, fui ser babysitter em uma cidadezinha entre Buffalo e NY. Que sufoco!

Ainda em NY e toda cheia com o meu inglês carioca, num bar pedi um café com leite. Depois de muita insistência da garçonete “May I help you” ela gritou: “Rossê”, it´s for you e lá veio um garçom falando espanhol. Alias, o que mais me irritava era quando eu era confundida ou com porto-riquenha ou francesa.

Mas o pior mesmo foi quando liguei do telefone público para Marlete, colega carioca que trabalhava em New Jersey. Após depositar os “coins” solicitados uma voz continuava falando e eu pedindo “please, speak slowly”. Claro que não consegui completar a ligação e só mais tarde descobri que eu falava com uma gravação.

Mas geminianos são os maiores pagadores de “mico” mesmo. Mas não se abatem facilmente. Depois de muito tempo morrem de vergonha das gafes cometidas, mas como nada prende a atenção deles por muito tempo, depois de um breve conflito entre o intelectual e o emocional eles se assumem: este sou eu...e pronto. Enquanto prometem jamais repetir o mico.

Falar um idioma estrangeiro requer mais do que conhecer gramática e vocabulário. É primordial que se conheça a cultura do país da língua que se está estudando. Isso me faz pensar no resultado que possa vir do programa concebido por Aloizio Mercadante e a ser lançado em Março deste ano pela presidente Dilma –“ Inglês Sem Fronteiras, o mais ambicioso programa de ensino da língua inglesa já feito por um governo”- quando a maioria por aqui ainda diz “isto foi uma perca” ou "o que mais você tem pra mim fazer”.

Bom, mas nós geminiamos doidos por uma pesquisa, a gente não esquenta e desiste nunca. Escarafunchando na Net percebi que, além do "The Book is on the Table" já temos meio caminho andado:

It’s we in the tape! = É nóis na fita.
Tea with me that I book your face = Chá comigo que eu livro sua cara.
I am more I = Eu sou mais eu.
Do you want a good-good? = Você quer um bom-bom?
Don’t even come that it doesn’t have! = Nem vem que não tem!
She is full of nine o’clock = Ela é cheia de nove horas.
I am completely bald of knowing it. = Tô careca de saber.
Ooh! I burned my movie! = Oh! Queimei meu filme!
I will wash the mare. = Vou lavar a égua.
Go catch little coconuts! = Vai catar coquinho!
If you run, the beast catches, if you stay the beast eats! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come!
Before afternoon than never. = Antes tarde do que nunca.
Take out the little horse from the rain = Tire o cavalinho da chuva.
The cow went to the swamp. = A vaca foi pro brejo!
To give one of John the Armless = Dar uma de João-sem-Braço.


sábado, fevereiro 16, 2013

Versos Verdes Fritos

foto by Tucalipe/2013


Versos Verdes Fritos
© Soaroir de Campos 25/1/2009

(Prêmio Projeto Literário Delicatta - ISBN 978-85-366-1563-9)
 
 

Entra na panela uma pitada de pimenta e sal
enquanto engrossa o molho eu refogo um verso;
desgrudo do fundo com uma colher de pau
o consolado alimento ensopado na garganta.


Talhadas a cutelo as desossadas vísceras
me berram do alguidar como se poetas fossem
a acrescentar ao caldo da molheira alfaiada
rimas marinadas em especiarias finas.


Benigna resiliência em salmoura conservada.
Condimentada nutrição do espírito e alma
descongelada levo ao fogo de um fogão
e ante aos perfumados vapores me ergo boquiaberta.


Sobre a mesa estico as rendas da Madeira (¹)
alinho os pratos e acimo as taças cheias.
Num discreto gesto temperado ao alho e óleo
eu saúdo o bardo que povoa minha cabeceira.



terça-feira, fevereiro 12, 2013

Plagiarismo

by Soaroir
12/2/13

imagem/google/biblioklepto‑1.gif



Plagiarismo é um vício.Transtorno psicológico.


Cleptomaníacos... consultem um terapeuta!




( “Há anos eu tenho medo de ser descoberto; acordo no meio da noite e vou me olhar no espelho. (…) Eu lutei contra o plágio do mesmo modo que outros lutam contra o fumo, o vício do sexo, da comida, do jogo. (…) Nunca pensei em oferecer meu livro como uma colagem. Eu queria, sinceramente, que as pessoas pensassem que eu era o autor”.


Ele próprio compara o vício do plágio à cleptomania. Diz que nunca roubou nada em lojas, mas que isso explica por que pessoas com talento literário sentem a necessidade de plagiar.)



Materia completa in: http://www.musarara.com.br/plagiarismo

.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Liberdade para a Poesia

Soaroir




'Poetry fettered fetters the human race”

William Blake



(Poesia acorrentada acorrenta a raça humana)





domingo, fevereiro 10, 2013

Liberdade para a Poesia


imagem/google


'Poetry fettered fetters the human race”

William Blake



(Poesia acorrentada acorrenta a raça humana)



quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Chuvas ao entardecer

Abundantes Chuviscos
Soaroir 04/02/2012




Abençoada de maneira especial

Fui capaz de te admirar desde o alvorecer

Quando deitava a afundar em tuas poças

Estes pés entanguidos do entardecer

O qual enche o ar com a alegria infantil...