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sábado, maio 31, 2008

Livro de horas

Das Horas de Junho
By Soaroir 31/5/08






Mote do dia: o "Livro de Horas"

Um beijo gay

By Soaroir 30/5/08

Ser ou não ser!?
Mudança de hábitos
Matronas enjeitando
Pais se encabulando
E gays se beijando na tv?
Invento um discuro
Me lembro de Shakespeare...
Ser ou não ser Hamlet?

¹"Libertos já do mortal abraço da vida...
Deve ser um intervalo... É o respeito
Que de tal longa vida faz calamidade
Pois quem pode suportar do tempo azorrague e chufas,
Os erros do tirano, ultrajes do orgulho,
As angústias de amor desprezado, a lei tardia,
A insolência das repartições e o coice destinado
Pelos inúteis aos meritórios pacientes
?"

Mote do dia: "Mudaça de Hábitos"
"A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso
fazê-lo descer a escada, degrau por degrau."
Mark Twain



¹SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO
William Shakespeare
"Hamlet"

Ser ou não ser, eis a questão.
Será mais nobre em espírito viver
Sofrendo os golpes e as frechadas da afrontosa sorte
Ou armas tomar contra um mar de penas.
Dar-lhes um fim: morrer, dormir...
Só isso e, por tal sono, dizer que acabaram
Penas do coração e os milhões de choques naturais
Herdados com a carne? Será final
A desejar ardentemente... Morrer, dormir;
Dormir, sonhar talvez... Mas há um contra,
Pois nesse mortal sonho outros podem vir,
Libertos já do mortal abraço da vida...
Deve ser um intervalo... É o respeito
Que de tal longa vida faz calamidade
Pois quem pode suportar do tempo azorrague e chufas,
Os erros do tirano, ultrajes do orgulho,
As angústias de amor desprezado, a lei tardia,
A insolência das repartições e o coice destinado
Pelos inúteis aos meritórios pacientes?
Para quê se pode aquietar-se, acomodar-se,
Com um simples punhal? Quem suportará,
Suando e resmungando,vida de fadigas
Senão quem teme o horror de qualquer coisa após a morte,
País desconhecido, a descobrir, cujas fronteiras
Não há quem volte a atravessar e nos intriga
E nos faz continuar a suportar os nossos males
Em vez de fugir para outros que desconhecemos?...
Assim a todos nos faz covardes nossa consciência,
Assim o grito natural do ânimo mais resoluto
Se afoga na pálida sombra do pensar
E as empresas de mor peso e alto fim,
Tal vendo mudam o seu rumor errando
E nada conseguindo! Sossega agora...
Ofélia gentil? Ninfa, em tuas orações
Sejam sempre lembrados meus pecados.

Tradução de José Blanc de Portugal,
Editorial Presença, 3ª. ed., 1997)

sexta-feira, maio 30, 2008

O Mapa Atualizado

By Soaroir 29/5/08


Oh cidadão, por quê te encharcas
Arrotas alto e te deita no chão?
Por quê, cidadão, esse desalento,
essa falta que lhe cobre o corpo
desnuda-te a mente de seguir em frente?

- Não tenho o travo de pessimismo
que habita a tua alma de aparência calma
camuflando-te a visão a qual vê meu leito
que para ti, somente é como se fosse um chão
onde tu te apóias enquanto julgas e mentes
chamando-me de cidadão como se fora tu
a espera de “virar poeira ou folha levada”;
na madrugada já sou esse “pouco do nada
invisível “, por estas ruas desencantadas
“Que nem em sonho sonhei” pudesse
um dia amparar meu pouso, que
repousado nos respingos da água ardente,
eu nada mais tenho a reclamar nesta
viagem exotérica das grandes cidades.

Mote do dia: (A viagem dos meus sonhos)"Há tanta moça bonita nas ruas que não andei.
E há uma rua encantada que nem em sonhos sonhei ."
- Mário Quintana

O MAPA
in Apontamentos de História Sobrenatural

“Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...”

quarta-feira, maio 28, 2008

O melhor da felicidade

by Soaroir 28/5/08

imagem: The Agonist.Org















Podem durar um minuto, ou menos

Os momentos que chamamos de felizes

Sua saudade, no entanto, cobre o mundo

E nos alenta por uma vida inteira.

Mote do dia:
"A melhor coisa de a gente se sentir feliz é que a gente pensa que
nunca vai se sentir infeliz de novo".
Manuel Puig, escritor

Nossos inimigos dizem

E eu não desisto
By Soaroir 27/5/08

Nossos inimigos dizem:
Perca a noção de domingos
Pois missa tem todo a hora
Roupa não há mais de festa
E a macarronada é instantânea.
Perca a noção de domingos
Na mesa sobram lugares
Falta a farofa espalhada
E as migalhas reclamadas
Quando a família se junta.
Eu perco a noção e insisto...
Ainda sobrou o Faustão!



Mote do dia:
A intenção do homem e a sua determinação
"Os nossos inimigos dizem
Nossos inimigos dizem: A luta terminou.
Mas nós dizemos: Ela começou.
Nossos inimigos dizem: A verdade está liquidada.
Mas nós dizemos: Nós a sabemos ainda.
Nossos inimigos dizem: Mesmo que ainda se conheça a verdade
Ela não pode mais ser divulgada.
Mas nós a divulgamos.
É a véspera da batalha.
É a preparação de nossos quadros.
É o estudo do plano de luta.
É o dia antes da queda
De nossos inimigos."

Bertold Brecht (1898-1956)

segunda-feira, maio 26, 2008

Desejo de aniversário

By Soaroir 26/5/08

quero um homem que tenha visões
mas não as suas envelhecidas

ele pode ter muitos bens,
porém que não o possuam

não sendo a minha alma gêmea
seja pelo menos a companheira

domine minha língua portuguesa,
revise com paciência os meus textos

não cobre de mim nenhuma rima
nem me torture com a mesmice coletiva

de presente quero um homem
que saiba recuperar a esperança que havia
nos aniversários do passados.

......x......x......
Aniversário
© Soaroir 26/05/08

No próximo dia 14
De junho, ano corrente
Vou novamente celebrar
Fato muito transcendente.

Neste dia há alguns anos
Chegava ao mundo arfante
Um bebê que se tornaria
Poetisa militante.

De fato, após algum tempo
De labuta e muita canseira
Resolve, pensando bem
Descansar nessa carreira.



Mote do dia : "Aniversário"

"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!... "

Álvaro de Campos, 15-10-1929

domingo, maio 25, 2008

Perfil

© Soaroir 25/5/08
Mote "alegria"

imagem google/dragaodomar


















Da vida peço pouco,

A alegria me basta.

Não quero nada além

De ser palhaço...

sábado, maio 24, 2008

Labaredas no papel

©Soaroir Maria de Campos
mote do dia 23/05/08 “A Queimada





Goethe, Lêdo Ivo, Byron,
E outros lordes “emos”
Queimem os fingidores de tantos “eus”
Saiam da primeira – partam para outras
Terceiras, pessoas causadoras
Dos males de nosso século.
Queimem estrôncios – soltem os fogos
Nos ofícios de artifícios dos senados
Romanos atualizados;
Capem CPM e F’s arrotadas;
Vomitem as poesias ensalivadas,
Mulheres frutas e pais desalmados.
Queimem tudo o que puderem;
O terno do casamento,
O vestido de noiva,
O convite da formatura,
A rosa da namorada murcha,
E o diploma das cotas.
Queimem tudo –
Não doem seus corações, só à poesia
Para a diferença das células tronco,
Na alquímica comédia dos tempos;
De resto, retirem os 4720 versos rimados
Em tercetos e guiados pelo espírito de Virgilio –
O resto... queimem... ante o Inferno
...e a presença de Dante.

Conflagração

© Soaroir 23/05/08

Lagarta na folha do maracujá
Asas cingidas de queimadas
Vôo interrompido, oh vida...
Meu grito grego - ai de mim!
Jesus Cristo ou Barrabás?
Edelweiss em Swizerland,
Ou embaúba tropical?
Expugnável morro crisálida
Fingida entre roçados e queimadas
Sem jamais saber do avoar...

Mote: "A Queimada"
Lêdo Ivo
"Queime tudo o que puder :
as cartas de amor
as contas telefônicas
o rol de roupas sujas
as escrituras e certidões
as inconfidências dos confrades ressentidos
a confissão interrompida
o poema erótico que ratifica a impotência
e anuncia a arteriosclerose

os recortes antigos e as fotografias amareladas.
Não deixe aos herdeiros esfaimados
nenhuma herança de papel.

Seja como os lobos : more num covil
e só mostre à canalha das ruas os seus dentes afiados.
Viva e morra fechado como um caracol.
Diga sempre não à escória eletrônica.

Destrua os poemas inacabados,os rascunhos,
as variantes e os fragmentos
que provocam o orgasmo tardio dos filólogos e escoliastas.
Não deixe aos catadores do lixo literário nenhuma migalha.
Não confie a ninguém o seu segredo.
A verdade não pode ser dita".

sexta-feira, maio 23, 2008

Eu Acredito em Anjos

No dia de Corpus Christi
By Soaroir – 22/05/2008
Mote: Eu acredito em anjos


Eu acredito em anjos, salamandras,
Gnomos, silvos e ondinas
Um fado português só em cordas
A 5ª e a 6ª de Beethoven
Sinfonias
Para se ouvir neste dia
Bradenburgo de Bach
Para o mote de Sunny Lóra
Como não crer em anjos
Se eles são quem nos guiam?
Haniel – nesta quinta-feira
É o anjo que nos ilumina
por todo o dia e a toda a hora.
Amém!

quarta-feira, maio 21, 2008

Certificado de Participação

Comédia Divina

©Soaroir 21/5/08

imagem:google/anapow
















Faltam me trinta para noventa –
O tempo, como os fios de cabelos,
cai aos montes na lua minguante.

Mote: "Palavras sábias"

"Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer nos mostrar a
importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar sobre a
responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa doença, quando quer
nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar
a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
nos mostrar a importância da vida
".
Fernando Pessoa

terça-feira, maio 20, 2008

A Gôndola Encantada

© Soaroir 20/05/08
(mote: viagens infinitas)

imagem:helder rocha








Separado, pro leite as moedas,

na gôndola, a pobre coitada

repete a multiplicação

para as muxibas e o pão.

Três bifes ditos de alcatra,

de gramas não chega a duzentos,

menores do que a frigideira,

mas serve à família inteira.

Sem mais para agradecer,

passa na frente da igreja,

repete o sinal da cruz

e roga a Deus uma luz.

O Aprendiz

By Soaroir
19/05/08

Às vezes fico daqui de minha vivenda
pensando se é curta ou longa a minha jornada
e o tempo vai passando...
até quando o coração me diz
que o maior bem é a vida –
parto então com a minha boiada,
sem medo de seguir a estrada
que me leve a ser feliz.

mote do dia: "Ser Aprendiz"

segunda-feira, maio 19, 2008

Aos participantes

By Soaroir

"A Cor da Alma"


Almas em versos – tratado poético -
espaço em que deixamos a forma
mais abstrata da vida:
energia cósmica, individual;
arco-íris de poetas on-line
de letras concretas e almas livres,
suas cores, acima de tudo o que tem cor,
coloriram do tema a alma essencial.