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terça-feira, outubro 28, 2008

O Fato da Foto

© Soaroir foto e texto
28/10/08 São Paulo/BR

Fotografia por Soaroir de Campos



cada foto uma história
de lugar, amor ou parente
fala mais que mil palavras
é retrato e nunca mente.
é um envelope endereçado
uma carta bem catita
expedida do passado
ao presente sem escrita.
colorida ou amarelada
exposta ou irrevelada
cada foto leva ao sempre
a lembrança preservada.
encerrada em relicários
de madeira ou fino cromo
vai direto para o lixo
logo assim que morre o dono.


Mote de Sunny Lora
"Uma FOTOGRAFIA é uma lembrança para sempre!"

Ato de Contrição

© Soaroir 27/10/08


Afina bem agora a tua memória
Havias de ter levado em conta as sombras
Do dia que teve vinte e quatro noites
Medidas pela lua
Acorda!
Homem sem memória!
Sem fé nem sonhos...
Gloriosas bodas itinerantes
Partem com a alvorada
Gravam, assentam como os vermes na terra
Humos da paixão decomposta
Engraçadas nos ruídos do silêncio
Réquiens e funerais

Só pra sair do sério:

- "Você é pra casar".
No Aterro do Flamento
fiquei (lá) a ver navios.


Mote por MagnoDeBarros:
"O início do fim de um grande amor..."

Talvez, eu não tenha sabido
dizer muitas vezes
que amava você...
Ou descuidei de mim
pra cuidar de você...
Talvez, eu me distrai
sendo o centro de nosso mundo
Ou deixei que você o dominasse...
Talvez eu tenha ficado feio
ou deixado você ficar...
Talvez eu tenha mentido
pra não ficar sentido...
Talvez nós só fizemos

domingo, outubro 26, 2008

Na Casa de Minha Infância

© Soaroir de Campos
São Paulo/Brasil
26/10/08

Resultado de imagem para casa de minha infancia  soaroir

Crescia solta a taioba, a mostarda
Alecrim silvestre em touceiras
No quintal, desprendidos resedás
Enfeitavam as nossas brincadeiras.

Faísca ronronava no telhado,
Maribondos zumbiam nos pés de pinha
Alvuras esvoaçantes nos varais
Embandeiravam aquelas nossas vinhas.

Janelas e batentes de azul marcado
Casa caiada de amarelo amarelado
O Lar de minha infância no cerrado
Balangava num alpendre ensolarado.


Mote: "A Casa da Minha Infância"

Amor que Mata

Soaroir
26/10/08
imagem:aredenarede












Eu, eu, eu...
meu, meu, meu...
É a risada mecânica do mundo,
o riso das esquinas e dos lares,
o riso da mídia e dos pregões.
Vá,vá,vá...
seu,seu,seu...
É a música do ter e do ver,
é o lenitivo dos agravados,
é o amor anarquista dos desamados.
Ai, ai, ai...
sou, sou, sou...
é a caçoada da dor e do grito,
é a zombaria do espanto e da morte,
é a pilhéria no enterro do ser.

para a Ciranda de Poesias
de Delasnieve Daspet

"Amor que mata"

sábado, outubro 25, 2008

Poesia das Cavernas

by Soaroir
25/10/08











imagem:google


Nossos versos de hoje

Cheios de ilustrações

Não é coisa de agora

Só começamos de novo

Enxergar a poesia

Como àquelas das cavernas.


para o mote: Começar de novo

quanta saudade eu tenho

Publicação autorizada pela autora
Nilza Azzi
para Pote de Poesias


"quanta saudade eu tenho

tenho saudade de escrever como o henrique, o jimii ou o rocaro
saudade da paixão desapaixonada
e uma saudade louca
do tempo em que me via como o magno
crítico... lúcido... sagaz... bem humorado
minha saudade dorme debruçada sobre uns versos da soaroir
saudade de saber guardar segredo
tenho saudade da eficácia da palavra transubstanciada
mas nunca escreverei como o ronaldo
sinto saudade de ter jeito para escrever com romantismo
ser uma charly, vânia, virgínia, vic, roseane
e sempre essa saudade de ir mais fundo
seguir a sunny, a denise, a lina, a mardilê
um dia eu quero ser é tão saudosa como a regina ou a ana
(ainda a doce lembrança de um poema num álbum de recordações)
mas morro de saudade do futuro, como a solange, a elisha e o meu coração."
Nilza Azzi (23/10/08 - 22:59)

para o mote: Saudade
in Poesia on-line do RL

Voltando no Tempo

© Soaroir
24/10/08

imagem:photobucket
















Fui ver a muda que na boa terra plantei
Até na superfície vi as raízes salientes
Me deitei na frondosa e rósea sombra
Nem parecia aquele flamboyant que finquei.

... pensando bem... acho q fica melhor assim:



Fui ver a muda que na boa terra plantei

Na superfície vi raízes salientes

Na rósea e frondosa sombra me deitei

Do flamboyant que um dia (eu) só finquei.


mote: Voltando no Tempo

quinta-feira, outubro 23, 2008

Abscôndita Saudade

© Soaroir de Campos
Out.23/08













imagem:bibliotecavirtual



minha saudade não sabe se foi

o gesto ou a mão de um aceno

os modelados na argila do então

vaguejante entre duas faces

dois amores e dois pais

hospeda inércia no presente

e vagamente sabe de toada

do bem e belas artes de eras

abscondidas na vincada cara

preciosas para sustentar a vida

...



"Saudade é fonte vertente de lembranças, lágrimas e inspiração... "
Mote: SAUDADE

Faço um Desejo...

© Soaroir de Campos
22/10/09

hoje só vejo
desafeição e dor
fecho meus olhos
custo crer
faço um desejo
que não se mate
muito menos por amor



Mote: "Fecho os olhos, paro e faço um desejo!"

terça-feira, outubro 21, 2008

A Procura

© Soaroir de Campos
Out.21/08


olho ao redor

desarco os barris de antes

peito a peito com o inimigo

à procura da razão principal

que me levou os esteios

a mercê de mágoas.

eu alfaiada de esperanças prossegui

até que da procura afadigada

entre os vivos mortos esbarrados

encontrei o que não sabia eu procurava

e no alvo de minhas vinhas descobri

andorinhas dos beirais não são sozinhas

voam mais perto do céu.



Mote por MagnoDeBarros:
A Procura
Nascemos procurando protestar
com o choro irado do despertar
Crescemos achando encontrar
Onde procurar...

Ao Poeta

Fiat Vadis
Por Soaroir de Campos
20/10/08

imagem:seopher











Do zênite ao nadir
"to be, or not be"?
Disse Deus ao homem:
- "Fiat vadis"...
O poeta,
assim como o Universo,
expande até limites infinitos.


Mote por MagnoDeBarros:
Ser ou não ser ... poeta.

Sob Ondas

By Soaroir 19/10/08















eu tão mexilhão
incrustada
finjo ser pedra.



Mote por Kate Weiss;:
"
Queria muito ter a perseverança das ondas do
mar, que fazem de cada recuo um ponto de
partida para um novo avanço ."
(não conheço o(a) autor(a))

Nas Entrelinhas

intermédio
Soaroir 17/10/08

feliz daquele
que conhece
o zero -
ele pode deduzir.



Mote por Eritania Brunoro:
"Entrelinhas"
Embora muitas palavras sejam ditas,
sempre fica algo nas entrelinhas.

Palpite Infeliz

Por Soaroir
16/10/08

Quem é você que recrimina o que eu fiz?

Olhe seu rabo...Veja onde mete o nariz

Tudo não passou de bela besteira

Mas agora eu sou feliz

Ser filial não me cai muito bem

E não aceito julgamento de ninguém

Que por aí faz besteiras também

Sei que o destino nos faz de brinquedo

Ao bel prazer cria todo o nosso enredo

Tramando nosso viver

Que palpite infeliz

Você falar sem saber o que diz.

Mote com o mesmo nome por Victória Magna:
"PALPITE INFELIZ"
(Noel Rosa)

Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do Céu, que palpite infeliz!
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz
Que sempre souberam muito bem
Que a Vila Não quer abafar ninguém,
Só quer mostrar que faz samba também

Fazer poema lá na Vila é um brinquedo
Ao som do samba dança até o arvoredo
Eu já chamei você pra ver
Você não viu porque não quis
Quem é você que não sabe o que diz?

A Vila é uma cidade independente
Que tira samba mas não quer tirar patente
Pra que ligar a quem não sabe
Aonde tem o seu nariz?
Quem é você que não sabe o que diz?

domingo, outubro 19, 2008

IDADE DE AÇO

(ou "Colhendo Macambiras")
© Soaroir de Campos
Out.18/2008

Outrubro 18 - Primavera ridícula
e eu aqui sorumbática, caída.
Querendo organizar minha poesia,
minha vida. Agora troveja.
Trovões que não são de verão
não passam logo.
Estou meio triste. Sem motivação;
vejo os plantados esmirrados;
quase tudo inacabado, jogado.
É sábado e não fui convidada,
me desconvidaram, não me telefonaram.
Nem eu convidei.
Até a Liebi está com cara de coitadinha,
comendo o pé ou a unha.
Cachorra deprimida... Como pode?
Perdi o fio da meada, preciso assumir:
também sou gente, nem sempre
assim. Hoje não estou disposta,
repetir, nem a fingir.
Eu colhendo macambiras¹...
É hoje e só. Depois tem sol.
A chuva passa
Escoa essa idade
Perdida
que não volta.
Salva pela Escrivaninha.
Benditas
Vic, Sunny e Vania.

(sem revisão)

¹ “bromelia laciniosa” armada de espinhos curvos



Mote: IDADES
baseado na obra de "MagnoDeBarros"

Sagaz idade
A que permite
Saber das entrelinhas
E encher de estrelinhas
Os sonhos pendentes...

Capaz idade
A que omite
Caber nas entrelinhas
Desejar as madrinhas
Em trajes indecentes...

Real idade
A que insiste
Rever as entrelinhas
Descartar as minhas
Dos erros recentes...
Magno de Barros
17out2008