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quarta-feira, dezembro 31, 2008

Call Céu

by Soaroir
31/12/08


"Sua ligação é muito importante para Nós"


Ligue 0800 para ligação direta e gratuita
Em seguida acesse as letras 238
Peça o ramal 53787
Se a linha estiver congestionada
Deixe o seu pedido de ano novo
Ou a reclamação do velho
No ramal 73376
Não se preocupe com o tempo
Tudo estará sendo gravado
E se a espera ultrapassar 1 ano
É só entrar com um processo
perante 3387.


mote: (Desejos de Ano Novo)

Vate encantado!

--------------------------------------------------------------------------------
Citação de: Ronaldo Rhusso em 30/Dez/08 19:41
Citação de: Soaroir em 30/Dez/08 11:36
...de tí não me esquecerei...

"Em Cima da Hora
by Soaroir 30/12/08


De Amargo à Sunny

T tita a Victória

E outros com X e Z

Aqui fizemos história

Amizade pra valer

Mais um ano de poesia

Que nunca vamos esquecer.

Feliz 2009 para todos! "



Vate encantado!

Textos deste bom kilate
Encantam os corações;
Aumentam muito as razões
De querer seguir, qual Vate!
Pra tristeza é um cheque-mate!
Olhem que nem me esforcei,
Pois que nessa nossa "grei"
Que chamamos de Recanto
Encontramos esse encanto...
Juro, não me esquecerei!

Ronaldo Rhusso


Poeta, que catita poesia... Salut - cheers mate!
Soaroir

terça-feira, dezembro 30, 2008

... de tí não me esquecerei...

Em Cima da Hora
by Soaroir 30/12/08














De Amargo à Sunny

T tita a Victória

E outros com X e Z

Aqui fizemos história

Amizade pra valer

Mais um ano de poesia

Que nunca vamos esquecer.

Feliz 2009 a todos!


Para o mote: É de tí que não me esquecerei.
"Desenho toda a calçada.Acaba o giz, tem tijolo de construção.
Eu rabisco o sol que a chuva apagou...
...queria até que pudesses me ver.
És parte ainda do que me faz forte."

Mariah Bonitah

... e por falar em amor...

by Soaroir
29/12/08

Ainda que se ame pela internet
Numa tela colorida sobre um atril
O amor de “second life” não é real
Falta o perfume e o toque febril.
Ainda que se acabe o tempo
A lua, como a carruagem aberta
E o lampião de gás, o amor ao vivo
Há de resistir na fina pena do poeta.



------------x--------------


...e por falar em amor...

"Se for para com seu homem, a mulher trata como cabelo.
Num dia prende, no outro solta,
num dia alisa, no outro enrola,
dá uma cortada quando precisa ,
numa semana amacia, na outra é só jogar de lado
e ele fica ótimo!
O que elas não suportam é ficar careca."


Mote:
"A palavra AMOR é sempre um frasco pequeno demais para conter o caudal irrefreável que a provoca"

Marina Colasanti
in E por falar em amor", pg.77

Direito Adquirido

(rascunho - especie de resposta ao poema Tempo, de Adélia Prado)
by Soaroir 28/12/08

Como muita gente eu venho vindo
Não chego a ser uma estrela cadente
um carro possante ou água nas vertentes
embora veja o horizonte se distanciando
Continuo pra frente, correndo, mais andando,
e olhando os passantes; os chegantes ignorantes
da faca e do queijo que têm nas jovens mãos;
de seus poderes, dos riscos e das fomes do mundo.
Não sou mais “moça”, “tia”. Agora sou “dona”.
O “Veja bem mocinha...” Já vai longe. Ainda bem.
Agora de cadeira, modéstia à parte, nessa arte
do nascer e viver garanto o meu direito adquirido
de envelhecer, ser ranzinza ou tolerante
com os famintos que logo-logo me chamarão de “vó”.


Mote: "Não quero faca, nem queijo. Quero a fome."

"Tempo"
Adélia Prado

A mim que desde a infância venho vindo
como se o meu destino
fosse o exato destino de uma estrela
apelam incríveis coisas:
pintar as unhas, descobrir a nuca,
piscar os olhos, beber.
Tomo o nome de Deus num vão.
Descobri que a seu tempo
vão me chorar e esquecer.
Vinte anos mais vinte é o que tenho,
mulher ocidental que se fosse homem
amaria chamar-se Eliud Jonathan.
Neste exato momento do dia vinte de julho
de mil novecentos e setenta e seis,
o céu é bruma, está frio, estou feia,
acabo de receber um beijo pelo correio.
Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome

Dueto Repente

ANNA RIBEIRO
e Soaroir
28/12/08

DA FARINHA SE MATA A FOME
da criação e do homem

NO GOSTO DA TAPIOCA
pura ou na paçoca

NA BOCA MEU AMOR TEM NOME
e honroso agnome

TROCO FACA,QUEIJO,FOME
e tudo (com) que se come

POR BEIJO NA BOCA
sedenta (do meu homem.)

sábado, dezembro 27, 2008

Poesia para a Cidade de São Paulo

Aqui Moro
Foto e texto by Soaroir
27/12/08

Av. Paulista 2008













Se o sinhô não tá lembrado
dá licença de contá

o que Adoniran fez por cá.
Com poesia e lealdade
ele cantou esta cidade
quando chuva era só garoa
sem alagos e crueldade.
Como eu não sei cantar
e meus versos são passatempo
digo nesses de pé quebrado
sem nenhum medo de errar
o que é hoje esse lugar:

Minha cidade é grande
Eu é que fico pequena
Diante dela.

Minha cidade é rica
Eu é que sou pobre
Mera bagatela

Minha cidade é séria
Eu é que sou bufana
Só balela

Minha cidade dá proventos
Eu é que não aproveito
Fico banguela

Minha cidade é segura
Eu é que não agüento
Tanta tramela

Minha cidade é boa
Eu é que não presto
Para viver nela.


Mote: "Minha Cidade"

DESCRIÇÃO DA CIDADE DA BAHIA
( Gregório de Matos)

"
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha.
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um freqüentado olheiro,
Que a vida do vizinho ou da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça ou ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés de homens nobres,
Postas nas palmas toda a picardia.

Estupendas usinas nos mercados,
Todos os que não furtam, muito pobres.
E eis aqui a cidade da Bahia."

Saneamento Básico

considerando q é "on-line" - eis um primeiro rascunho:

Saneamento Básico
"Começar de Novo"
by Soaroir

Desprezar a todos, mesmo se não verdade
Fazer-me de esquisita, esquecida
tratar tudo com descaso
Mudar de atitude, agir com indiferença
Arrotar caviar. Valorizar meu angu inato
Verei gente, quiçá o mundo me chamando
respeitosamente "senhora"
Não saberão mais quem sou
Escolho então qualquer identidade
As rotas e as rasgadas incinero-as
Troco de personagem e roupagem
Descarto a autopiedade do ano velho
- Começar de novo no ano novo -
Mesmo que não seja verdade
Falcatruo a mente, minto para muita gente
Assim, no próximo ano não haverá quem
nem jeito de provar - coitada, ela endoidou
mudou, resolveu ser diferente.


Mote: Começar de Novo
"O Natal passou e um novo ano está chegando
Alguns de nós estarão agradecidos com tudo que viveram até aqui
Outros talvez, queiram uma nova chance
Tentar outros caminhos Quem sabe ... Um novo começo!"

Perdão Rasgado

© Soaroir de Campos
Dez 25/2008

“Perdão Mestre, eu sou apenas
um homem ignorante
”
eu não soube nada dos enxovais
do nascimento nem da morte
diante das intempéries eu me agasalhei
quando tive sede eu bebi
faminta eu quebrei imagens
duvidei, negociei e pequei
me arrependi
ofereci meu branco véu
no altar da santa
esperei...e ainda espero
pelo perdão
diante de muitos
e tanto
como saber se ele veio
se ainda morro de fome...

("Queridos amigos poetas pf me perdoem, mas esta semana de "perdão" não entendo muito bem. Na próxima quem sabe haja menos mágoa?!")

Perdão segundo Soaroir

Rasgos de Perdão
© Soaroir
25/12/08


Se você me espezinha enfraqueço
Até eu poder revidar
Aguardo pela roda da fortuna
E do palco, entre os holofotes
Tenho minha doce vingança
E prazer ao lhe perdoar -
......no próximo Natal.

Se você me corta eu sangro
Até morrer se não me cuidar.
Se você se arrepende,
Talvez, eu lhe perdoe
A cicatriz não
não me deixará esquecer.


Perdão no Natal

perdão no Natal
é concessão
bolinho de bacalhau
rabanada
gelo no scotch falsificado
papeis coloridos no chão
e um monte de risada -
depois da oração.



Eu faria um ensaio:

Perdão Condicional -"Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe" (Lucas 17:3-4)

Perdão Misericórdia- "Pai, perdoai-os pois eles não sabem o que dizem"
Jesus na cruz entre os dois ladrões

Perdão Vingança -
...ou vai para o fogo do Inferno.


Mote sugerido por: Fiore Carlos em 25/Dez/08 00:05
Como hoje comemora-se o Natal de Jesus proponho como mote o
Perdão
Na sua visão, como é esse perdão dado por Jesus?

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Presente de Natal

Eu acredito...
by Soaroir
24/12/08


em Papai Noel
em reciclagem
que cada caixa reusada
de qualquer material
ajuda no retrocesso
da grande poluição.
valoriza o de hoje
e os futuros natais
é menos lixo na Terra
e pro homem um presentão.
recorta o antigo cartão
redesenhe a mensagem
mostre no seu presente
que você é um cidadão.

Mote: Presente de Natal

terça-feira, dezembro 23, 2008

Um Conto de Réveillon

O Caso da Bolsa de Vime
© Soaroir de Campos

















Era tarde de 31 de dezembro de 1991 quando Mariazinha voltou para casa e pela primeira vez percebeu o espaço que o silêncio ocupa. A casa parecia não ter paredes nem teto. Era um enorme vão sem distinção de cômodos. Embora não ficasse na “Rua dos Bobos” e nem fosse o “número zero”, para ela naquela casa também faltava o chão.

Num acesso de desassossego, num só impulso, Mariazinha embrenhou-se guarda-roupa adentro e abriu a tão conhecida e surrada bolsa de vime com alças de madeira escura. Olhou, esvaziou tudo no chão. Não conformada, abriu um bauzinho de estimação e também todas as gavetas. Não era possível que nada tivesse sido deixado para justificar a partida de sua mãe, se remoía. Uma carta, pelo menos um bilhete de adeus Mariazinha esperava encontrar. Não concebia uma mãe partir assim sem se despedir da sua primogênita. A dor pela falta de consideração se confundia com a dor da ausência em si.

Nas ruas já comemoravam o novo ano. Uma banda na calçada tocava, entre algumas marchinhas, “Jingle Bells”, apesar de o Natal já ter passado, enquanto senhores musicistas aposentados angariavam fundos para as suas “Boas Festas”. Um cheiro forte de pernil assando saía do hall do elevador e impregnava o espaço que outrora fora um lar e em cuja mesa agora sobraria uma cadeira. O vestido branco que acabara de comprar para festejar a virada sequer desembrulhou. Mariazinha jogou-se num canto da sala e chorou. Chorou todos os 40 anos, nos quais fingiu ser forte e destemida. Chorou um choro que vinha do útero e que lhe descia ardido pelos olhos. Como sonâmbula, se levantou e percorreu cada espaço ainda à procura de alguma coisa escrita que a confortasse ou que pelo menos amenizasse a dor daquela partida, cujo desespero sequer em sonho imaginou sentir. A tarde já perdia o tom amarelado de verão e Mariazinha, que já nem sabia mais o que procurava, seguia procurando. Só procurava. Levantou os lençóis, a toalha da mesa, procurou entre as panelas e na dispensa. Esvaziou todos os guardados até que a casa ficasse cheia da desarrumação. Tudo espalhado pelo chão e nenhum aviso prévio para aquele sumiço.

Aos poucos as paredes e o teto e os móveis foram voltando para seus lugares. Ela começou a recolher tudo o que ela havia espalhado e voltou ao sofá. Sobre o Fritz Dobbert aberto, contrastando com a madeira bem conservada e as teclas de marfim, repousava uma partitura já amarelada:
“Réquiem em Ré Menor”:

I. Introitus
Requiem aeternam dona eis, Domine,
Et lux perpetua luceat eis.
Te decet hymnus, Deus, in Sion,
Et tibi reddetur votum in Jerusalem:
Exaudi orationem meam,
Ad te omnis caro veniet.
Requiem aeternam dona eis, Domine,
Et lux perpetua luceat eis.

Em um aparador à esquerda, entre um porta-lápis e um solitário de fino cristal, outras peças de Mozart a olhavam de esguelha. Mais adiante a cristaleira, com a sua coleção de xícaras de todo o mundo, parecia zombar da situação.

Alheia a qualquer censura, Mariazinha segurou contra o peito a bolsa de palha e, numa última vã tentativa, abriu-a. Recolheu do chão seus bens deixados sem testamento e recolocou-os em seu “cofre” de vime: uma cruzinha de madeira arrumada com uma fina linha vermelha, uma folha de louro seca e desbotada pelo tempo e um espesso e prateado espelhinho retangular. Nenhum bilhete. Como uma autista, pendulando-se em seu próprio tronco, ali ela ficou até perder a noção do tempo, quando foi distraída de seu sonambulismo por uma mensagem: - “Filha, você se esqueceu de que eu era analfabeta?”.
FIM.


(este mini conto concorreu na 10ª Edição do Concurso Talentos da Maturidade do Banco Real)

Velhos Natais

By Soaroir
23/12/08

Resultado de imagem para Velhos Natais Soaroir


De tudo ficou um pouco.
Dos sonhos. Da árvore.
Das cores. Dos enfeites
já quebrados.

Guardado ficou um pouco.
De fé. De abraços apertados.
Das flores secas. Da mesa
e da toalha engomada.

Sempre fica um pouco.
Do cheiro do pão. Da mãe
do fogão. Dos brinquedos
amontoados no chão.

De tudo ficou um pouco.
Dos velhos natais.
Do sorriso da família
no retrato que sobrou.
Do retrato dos amigos)



(este texto teve por base o poema "Resíduo" de Carlos Drummond de Andrade )


Mote: "Velhos Natais"

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Recordar para Esquecer

"Puzzles"
by Soaroir 22/12/08











imagem:terra

olhar para trás, descobrir
os nãos e os esquecidos
peça por peça a vida
fazendo todo o sentido
nenhum
ninguém culpado.
reviver o passado... Marco
enxergar, reconhecer as fronteiras
do que não fomos
ou do que não pudemos ser.
recordar é viver
uma vida toda vivida
perdoar-se e compreender
nada foi em vão -
no todo acontecido.

Mote: "Recordar é viver"
para poesia on-line do RL

domingo, dezembro 21, 2008

Le Penseur

by Soaroir
21/12/2008















Auguste Rodin 1840 - 1917

O pensamento pode...

comer banana amassada
com sal, pimenta e canela
mergulhar numa estante
e meditar na pescaria

andar sobre as águas pode
caminhar com lagartixas
discutir com enforcados
e até matar parentes!

o pensamento pode...
cometer um monte de podes
só que parar para pensar
ah...isso o pensamento não pode!