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terça-feira, março 31, 2009

Olhos de Anuro

Soaroir
31/3/09









imagem: google


Manhã é a metade do dia
Vagalhão é o pai da marola
Meu olhar é o meu guia
No curso das correntezas
Surreal como desmame
Não enxerga cor no bafio
Nem se fixa em gravames
Mas se os tosca desafia.
Alma inquieta em turfeira
Desentocaiada, eu suspeito
De soslaio, sobre a ombreira
Que como enxergo é perfeito.


Mote: "Com que olhos eu enxergo..."

segunda-feira, março 30, 2009

Haiku

Foto e Texto por Soaroir de Campos













Banquete de pássaros
sozinha a goiaba espera -
Bem no alto da sacada.



......xxx......

Amor passo a passo -
livre como as estações.
Adversário do abismo.

Eis Outono

© Soaroir de Campos




ei-te experiente e renovado
chegaste tão manso,
vieste tão rápido, sem alarido...

alba canção da Natureza,
coloreies* tons medievais
norteadores de nossas folias.

equinócio do tempo,
ocaso do leste
estamos-nos mais envelhecidos,

eqüidistante clareza
extremes flores exuberantes
aquiesças outras ladezas.

ei-te experiente e renovado
chegaste tão manso,
vieste tão rápido, sem alarido...

tão outono...



Soaroir de Campos
12/3/07

domingo, março 29, 2009

Amor Hipnótico

Dueto Denize com Soaroir:
27/3/09

Amor é balsa flutuando
entre a Arca de Noé e a Barca do Inferno,
numa viagem não menos alucinada
do que tantas outras navegadas
do absinto ao ácido.

Soaroir


Amor grandioso transe
É hipnótico, muito louco
Balsa oscilante, até que canse
Flutuando num oceano oco

Entre o real e o emocional
A afetividade navega
Arca de ser racional
De era em era se entrega

Noé amou ao Criador
E deu-se numa aventura
A nau fez com amor
Barca insana que perdura

Do querer e do não querer
Inferno amoroso se faz
numa epopéia a vencer
Viagem em busca da paz

Não dizemos do amor o mal
Menos ainda da infelicidade
Alucinada emoção carnal
do espírito há cumplicidade


Que demência amor não satisfeito
Tantas dores no peito alojadas
Outras ainda o fazem imperfeito
Navegadas em ânsias não consumadas

Do efeito sonífero do amor
Absinto é ligeiro remédio
Ao sentir anestésico torpor
Ácido destino afasta o tédio...

Soaroir de Campos
Denise Severgnini

Cansaço

Dueto com Tetita
27/3/09

Cansaço fatal
Uma tristeza
um não sei quê
Invado-me na planicie
no verde da minha esperança.


Cansaço fatal, enfado meu
Uma tristeza , antojo, alerta
um não sei quê que se rompe
Invado-me na planicie aberta
no verde da minha esperança. E cansa

Soaroir

Adestramento

©Soaroir 29/3/09

Ando tratando muito bem meus cães.
Eles sempre estão procurando por mim -
Reclamando (minha) atenção.



O mote para o dia 29/03 é com base numa boa frase de freud;

"Cães amam seus amigos e mordem seus inimigos, bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm sempre que misturar amor e ódio em suas relações." - Sigmund Freud

Sugestão de Marcelo Bancalero

Fotografia do Silêncio

Lagarta Bezerra
Soaroir 28/3/09

É belo olhar a nossa fotografia
A do passado. É belo até cair de lá.
- Essa ai nasceu pra ser homem, mas mudou de ideia no caminho
Sempre com os cabelos arrepiados como lagarta bezerra, nunca pára
Até parece que tem um bicho carpinteiro;
Joga malha, baleba, pula corda sobe até em goiabeira
Até parece ter parte com macacos ou não teria essa ligeireza.
Quisera descansar, mas preciso fazer o Imposto de Renda
A lista da dispensa, a cama, a comida – aspirar
Ir às compras, digladiar com a economia, com as contas
E as más sucedidas parcerias.
Ainda está emoldurado o retrato de quando eu pequena
A minha mãe fazia.
Nem mesmo eu sabia que aquele negativo
Era só um experimento
Para ser revelado nas cores de hoje em dia.




Mote do dia por Soaroir:

"Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal."

Manoel de Barros

"A Grande Sede"

Soaroir 28/3/09


Descansa poeta, descansa,
Na Existência.
A vitória da essência
Ainda não chegou -
Mesma é a sua esperança



Mote do dia por Denize:
"A Grande Sede"

Se tens sede de Paz e d’Esperança,
se estás cego de Dor e de Pecado,
valha-te o Amor, ó grande abandonado,
sacia a sede com amor, descansa.

Ah! volta-te a esta zona fresca e mansa
do Amor e ficarás desafogado,
hás de ver tudo claro, iluminado
da luz que uma alma que tem fé alcança.

O coração que é puro e que é contrito,
se sabe ter doçura e ter dolência,
revive nas estrelas do Infinito.

Revive, sim, fica imortal, na essência
dos Anjos paira, não desprende um grito
e fica, como os Anjos, na Existência.
Cruz e Sousa


Este mote possibilita diversas leituras poéticas!Ótimas inspirações

Das Paixões

Soaroir
27/3/09

(2ª tentativa)

A paixão da cobiça é a espada e a terra
Mas a paixão do amor é a felicidade
Presente no mundo em maior quantidade
Ele por isso prevalece sobre a guerra.

A paixão do belicoso é a espada e a terra
Mas a paixão do plácido é pela felicidade
Presente no mundo em maior quantidade
Por isso o amor prevalece sobre a guerra.
...
...


Mote do dia:

Citação do livro "PAIXÕES" - de Rosa Montero, 2005.

"... o apaixonado sai de si mesmo e se perde no outro, ou, melhor dizendo, naquilo que imagina no outro. ... a paixão é uma espécie de sonho que se deteriora em contato com a realidade. "

Denis de Rougemont, ensaísta suiço, dizia em "A história do Amor no ocidente" :

" O amor feliz não tem história.
Só o amor ameaçado é digno de um romance.
Os poetas cantam o amor como se tratasse de vida verdadeira,
"mas essa vida verdadeira é a vida impossível".


Amor é...

Soaroir 26/3/09


















Amor é balsa flutuando
entre a Arca de Noé e a Barca do Inferno,
numa viagem não menos alucinada
do que tantas outras navegadas
do absinto ao ácido.


Mote:

"As sem-razões do amor"

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

Um Quarto Familiar

(de adolescente)
Por Soaroir 25/3/09


Uma porta, três paredes e uma janela
Na empoeirada escrivaninha um PC
Sob ela fios ligados para todo lado
CDs despencando das prateleiras
Na fachada enfeitada por bandeiras.
Gil Vicente é (só mais) um peso de papel
Salva vida de formas e grandezas
Entre outros volumes, meias, tênis e jeans
Boiando a deriva num mar particular -
Espaço onde se entra de costas
Para não deixar de olhar pra frente.


Mote: No Quarto...
"...Passa de uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama
como se diz o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites, inútil o apanhado
da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos a história do universo..."


FRAGMENTOS, Vladimir Maiakóvski,
(tradução: Augusto de Campos)

Semear é Preciso, Colher não é Preciso

Soaroir 24/3/09

Como saber se a semente é podre
Quando o fardo recebido vem lacrado
Como saber que a terra não é fértil
Se a escolha é aleatória
Sigo meu instinto animal
O farol inato
Sinto o vento nas ventas
O sol no lombo carcomido
O cheiro da chuva
E pelo faro eu,
Com afinco, finco a raiz.


Mote: Semear e Colher

O que importa na vida não é o
ponto de partida, mas a caminhada.
Caminhando e semeando, no fim
terás o que colher
.
(Cora Coralina)

Mudança

Soaroir 23/3/09

Mudo a sala, a cozinha as cortinas
De casa , de bairro, de caminho
Mudo até o dia de uma decisão
Nenhuma mudança me sacia
Se um dia eu não puder mudar
Nuanças de desafetos por ventura
Incrustadas na imutável cor
De minha origem, raça e alma.



Mote: Mudança

METAMORFOSE

Meu coração repleto de esplendores
Como as grutas fantásticas do Oriente,
Será digno de ti. Por ti somente
Foi que eu junquei meu coração de flores.

Por ti despi-o, das passadas cores
Por ti sequei a lágrima pungente,
Que gotejava como o orvalho ardente,
Silenciosa sobre as minhas dores !

Entra. Percorre estes vergeis risonhos,
Calca a sorrir a terra umedecida
Onde palpita o mundo dos meus sonhos.

Fica, porém, atenta e prevenida;
Hás de ouvir, muitas vezes, os medonhos
E surdos ais de uma ilusão perdida.

Luis Guimarães

Luiz Caetano Pereira Guimarães Jr. (1847/1898)
Nasceu no Rio de Janeiro,dedicou-se à carreira diplomática. O soneto "Visita à Casa Paterna" consagrou-o como poeta, Escreveu os livros: Sonetos e Rimas, ; Poema dos Mortos; Noturnos; Curvas e Ziguezagues e outros. Foi sócio fundador da Academia Brasileira de Letras.




segunda-feira, março 23, 2009

"A Hora do Planeta"

Soaroir
22/3/09

Cessem no espaço o lixo
As navegações que fazem
A fama das vitórias que têm
Aponto num canto solitário
A importância de Marte e Lua
Mas a Terra
[é a nossa mais antiga musa.

...
...


Mote do dia