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sábado, novembro 28, 2009

Adote um Mendigo Neste Natal

O Mendigo da Minha Rua
ou
Uma Pessoa Desaparecida
Por Soaroir de Campos
São Paulo – SP - Brasil
28/11/09








(Campanha: Adote um mendigo neste Natal)



- Posso falar com você?
- Sim.
- Qual o seu nome?
- Veridiano. Jesus Veridiano.
- Quantos anos você tem?
- 13
- Você se lembra em que ano você nasceu?
- Acho que foi em 1971. Meus documentos estão em casa.
- Onde?
- Em São Paulo.
- Que lugar?
- Ituí.
- E a rua?
- Rua Junho.
- Que número?
- 212.
- Qual o nome se seus pais?
- Rafael.
- E sua mãe?
- Rafaela.
- Em que seu pai trabalha?
- Oficina de carro.
- E você? Já trabalhou?
- Sim.
- Em quê?
- Montador de carro. Estou na rua só por um tempo.
- Onde você come?
- Em casa.
- Como você vai para casa?
- A pé
- Você é casado?
- Já fui.
- Qual o nome de sua mulher.
- Rafaela.
- Tem filhos?
- Sim.
- Quantos?
- Dois.
- Qual o nome deles?
- Junho e Tales.
- Juro que não vou te perturbar muito, é rapidinho. Você sabe escrever?
- Sei.
- O que você sonha?
- Ficar mais em casa.
- Por que não fica?
- Porque tenho que sair.
- Come quantas vezes por dia?
- Manhã e noite.
- Já esteve na cadeia?
- Nunca!
- Se eu pudesse te ajudar o que você gostaria ?
- Nada.
- Se eu precisar falar mais com você onde te encontro?
- Naquela praça pra lá.
- No final da Paulista?
- É.
- Posso tirar uma foto sua?
- Pode.
- Você já esteve em algum hospital?
- Não.
E sem mais ele partiu.

Aparentemente sua memória é seletiva, mas sua meiguice é comovente.



Nota:
Tentarei, novamente, enviar este material para o “Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas” cnpd@cnpd.org.br
Quem puder colaborar, eu agradeço.

Um comentário:

SÉRGIO CARVALHO disse...

De doer o coração!!! Na maioria das vezes, as pessoas se tornam moradores de rua, por problemas mentais, ou por algum fato marcante em suas vidas, seria como um fuga. Existem aqueles, que realmente não teem onde ficar, aí, é por necessidade, fui vicentino por muto tempo em minha cidade, amparava muito estes descamisados meu coração, doía muito.Um bração cara poetisa, linda entrevista.