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domingo, setembro 30, 2012

Cobertor Curto (EC)


O Processo

Copyright Soaroir

imagem/google

A mim parece que escrevendo, ao reler, a autopiedade soçobra e o ridículo me troça sobremaneira; o que antes Sagarmatha (¹), deixa de ser supremo, torna-se um grão de mostarda (²), mesmo que a memória das angústias continue frondosa.

Trabalha, trabalha, escreve, escreve tanto quanto possas, tanto quanto sejas arrebatado por sua musa. Este é o melhor corcel, a melhor carruagem para escapar da vida.  (³)

Neste licencioso ato de terapia de grupo com os meus eus, despudoradamente dispo minhas reservas, desbanco a retaguarda e a golfadas inundo quaisquer papeis que não ousaria confessar a um amigo – ele os usaria contra mim na primeira oportunidade -. Assim vai se escapando da vida ou se cobrindo conforme a coberta que ela, vida, nos oferece.

Aquele foi um ano e tanto. Tudo parecia estar sob controle quando às 7:30 hs baixou um oficial de justiça, advogado e carregadores e levaram meus pertences para um depósito aos cuidados de um “fiel depositário”. Aquela reintegração de posse era injusta, como a maioria de que se tem notícia, mas aquela além de indevida era inoportuna, já que estávamos a 11 dias do Natal.

Alojada como possível saí atrás de meus direitos logo após as férias forenses. Pois não é que o ex-marido, um dos proprietários do imóvel onde eu residi por mais de 28 anos se suicida!

Boicotei minha defesa, ou eu estaria brigando contra os meus filhos, já que são herdeiros do espólio, que sabe-se lá quando será liberado. 

Engraçada a vida, não? Ela sempre nos fornece coberta, mas às vezes não conhece a extensão de nossas pernas...

O que sei é que nesse puxa pra lá puxa pra cá quem ficou com o traseiro de fora fui eu que vou pagando um aluguel com a minha “gorda” aposentadoria.

Enquanto isso eu vou escrevendo e deixando bem para trás as memórias daquele Natal. Até já tenho o título para meu próximo livro: “O Processo”. Titulo que peguei emprestado do escritor checo Franz Kafka.


Obs: (sem revisão)

(¹) Everest (rosto do céu em nepalês)
(²) Em S. Mateus, capítulo 13:31 e 32: "Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos."
(³) Gustave Flaubert


 Exercicio Criativo (EC)




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