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sábado, abril 04, 2009

Súplica de um Tesauro

Soaroir de Campos
3/4/09


Este humilde tesauro pede um minuto de vossa atenção
Não me julgueis impertinente antes de saberdes de minha solidão
Açambarcado por capa de couro e finos filetes de ouro
Sou às vezes de estimação, de bolso, devoção, ou cabeceira
Jogado ou muito bem guardado, ainda assim fico arquivado
Tinindo novinho em folha ou bem velho empoeirado
Esperando pelo dia em que me vereis além das orelhas
De minha sinopse ou das notas de introdução.
Veementemente eu vos suplico que atendei a minha aspiração:
- tirai-me de vossas prateleiras e passai-me a outras mãos.


nota da autora: "Tesauro" está sendo usado como sinônimo de livro o que não é bem verdade.Ver: Rubrica: lexicologia: vocabulário de um ramo do saber que descreve
sem ambigüidade os conceitos a ele atinentes; thesaurus Ex.: t. de museologia"



Mote: "Ao Leitor"
"Le philosophe lisant"
Chardin (Jean Baptiste) 1734
Não é um verdadeiro leitor, un philosophe lisant (Chardin), aquele que nunca sentiu o fascínio acusador das grandes prateleiras de livros não lidos, das bibliotecas à noite de que Borges é o fabulista. Não é um leitor aquele que nunca ouviu, no seu ouvido mais íntimo, o apelo das centenas de milhares, dos milhões de volumes alinhados nas estantes da British Library ou de Widener, pedindo que os leiam.
Pois existe em cada livro um desafio contra o esquecimento, uma aposta contra o silêncio que só pode ser ganha quando o livro for de novo aberto (mas, em contraste com o homem, o livro pode esperar séculos pela sorte da ressurreição)
(...) Em todo ato de leitura completa, dormita a ideia compulsiva de escrever um livro em resposta
.
"Paixão intacta" (George Steiner)


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