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sexta-feira, junho 13, 2008

Nem todas cartas de amor são ridículas

Nem tão ridículas...

"Rafah 12-7-65

Querida Maryzinha,

Há muito tempo que eu não recebo uma carta sua e hoje eu não sei porque, eu estou com muito mais saudades de você do que normalmente. Eu não sei se é o tempo, ou o que é, mas a verdade é que hoje mais do que nunca eu queria estar com você para abraça-la e beija-la e fazer mil carinhos e receber um pouquinho de carinho também.
O tempo está quente, um vento forte está soprando e a areia passa assobiando e tudo é solidão e tristeza neste deserto. O deserto não tem mais beleza, não tem mais vida, porque o sol queimou tudo, e o sol queimou o meu coração, e ele dói de saudades. Saudades que não são amenizadas, porque você talvez esqueceu que tem alguém que não te esqueceu, e que um dia voltará, e que voltará pedindo afeto, afeto que nem todos podem dar, mas que uma menina que tantas vezes esteve comigo no Posto 9em Ipanema, se quiser, poderá dar.
Um milhão de beijinhos deste que tantas Saudades sente de um broto que está tão longe e no entanto tão perto...

Do seu X
"


Todas as Cartas de Amor são Ridículas
Álvaro de Campos


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

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