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quinta-feira, dezembro 18, 2008

A Morte de Boann¹

© Soaroir de Campos
Dezembro 16/08

Os dias divinos das manhãs amenas
Que os mofinos vestem de monotonia
Como que simples e triviais fainças
É a razão de sua velhice em agonia.

(um dia eu termino)


¹Boann: deusa celta da inspiração, das artes e da fertilidade

Mote: A velhice do eterno novo
"Sábio é quem monotoniza a existência, pois então cada pequeno incidente tem um privilégio de maravilha. O caçador de leões não tem aventura para além do terceiro leão. Para o meu cozinheiro monótono uma cena de bofetadas na rua tem sempre qualquer coisa de apocalipse modesto. Quem nunca saiu de Lisboa viaja no infinito no carro até Benfica, e, se um dia vai a Sintra, sente que viajou até Marte. O viajante que percorreu toda a terra não encontra de cinco mil milhas em diante novidade, a velhice do eterno novo, mas o conceito abstracto de novidade ficou no mar com a segunda delas."
Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'


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