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quinta-feira, janeiro 29, 2009

Versos Verdes Fritos

(ou Verso em vinha d´alho)
© Soaroir 25/1/09
ISBN 978-85-366-1563-9


Entra na panela uma pitada de pimenta e sal
Enquanto engrossa o molho eu refogo um verso
desgrudo do fundo com uma colher de pau
o consolado alimento ensopado na garganta.

Talhadas a cutelo as desossadas vísceras
me berram do alguidar como se poetas fossem
a acrescentar ao caldo da molheira alfaiada
rimas marinadas em especiarias finas.

Benigna resiliência em salmoura conservada
Condimentada nutrição do espírito e alma
descongelada levo ao fogo de um fogão
e ante aos perfumados vapores me ergo boquiaberta.

Sobre a mesa estico as rendas da Madeira (¹)
alinho os pratos e acimo as taças cheias
Num discreto gesto temperado ao alho e óleo
eu saúdo o bardo que povoa (a) minha cabeceira.


(¹) Ilha da Madeira



2º LUGAR POEMA LIVRE
SOAROIR DE CAMPOS
" VERSOS VERDES FRITOS"

PROJETO DELICATTA IV
http://asincertezasdacor.blogspot.com.br/2009/11/premio-delicatta-editora-scortecci.html

2 comentários:

Bípedes disse...

Olá!

Depois de algum tempo, ausente de mim mesmo e de todos, retorno por um caminho que não é mesmo de ida.

Sua publicação é de uma estrutura
leve e gostosa de ler, de verdes e fritos nada tem, maduros e perfumados a cada palavra.

Um grande abraço!

Anônimo disse...

Me deparei diante da sua escrita e fiquei. Realmente envolvente. Abraço forte.
Visite o meu blog: ligia_mmakyba@blogspot.com
Obrigada.